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ARTES PERFORMATIVAS


A INSUSTENTÁVEL ORIGINALIDADE DOS GROWLERS

ANDRÉ FONTES

2021-03-24



 

 

No meu último ano da licenciatura, proclamei os Growlers «a melhor banda da década». Não o fiz após uma investigação rigorosa, nem sequer depois de ter dado atenção às outras «melhores bandas da década». Eu não ouvia mais do que clássicos dos setenta e era, como sempre fui, incomodado pelo que é novo. A conclusão de que os Growlers eram surpreendentes, imperdíveis e iluminados saiu-me para rejeitar um calvíssimo barbudo que, com os óculos de massa a penderem-lhe do nariz, tentava engatar-me falando-me dos Capitão Fausto.
– Esquece, esses gajos são uma merda! Já ouviste os Growlers? São a melhor banda da década.
Como toda a gente, quero receber convites para poder recusá-los. Que não se estranhe, por isso, que eu tenha escolhido a melhor música dos Growlers para entesar ainda mais aquele barbudo hipster. Umas poucas notas de baixo introduzem, sozinhas, a voz áspera de Brooks Nielsen; fazendo-se seguir pelos beliscões de uma guitarra com reverb surfista, numa escala que vai roçando a fronteira entre os tons menores e os maiores, mas nunca deixando de ser lúgubre – a «Beach Rats».

 

 

Num suspiro pretensioso, o barbudo declarou lembrar-lhe os The Smiths. A sua intenção deverá ter sido a de traçar a genealogia dos Growlers com o mínimo esforço e, com isso, impressionar-me. Mas eu estava determinado a torturá-lo e discordei da comparação.
– Nada disso. Devem tudo aos Beach Boys. São uma consequência lógica do Pet Sounds, se ouvires bem.
– Ah, sim! Sem dúvida, sem dúvida… Gosto muito!
– Não têm nada a ver com os The Smiths. É a guitarra, eu percebo… Tem qualquer coisa de Johnny Marr. Mas isso deve-se aos Smiths terem ido buscar coisas ao Dick Dale, aos 13th Floor Elevators e às primeiras coisas dos Beach Boys. De certa forma, têm influências parecidas, mas os Growlers são de outro mundo. O que eles vão buscar aos Beach Boys não é tanto o som, mas a morbidez do Pet Sounds. Os Beach Boys fizeram da praia o sítio mais feliz do mundo, pra depois fazerem dele o mais triste. E os Growlers seguem-se disso. Criaram este estilo a que chamam de «beach-goth». Ouve a letra.

But I remember the sun bleeds strong
and everyday under the sun
And I don't wanna scare 'em away,
I just wish we were still young´

Beach Rats, reckless days,
foul-mouthed salty kids
All day healed by the sun
and wrapped up in the ocean's lip

– Bom, não é?
– Muito bom, mesmo – respondeu, de sorriso guloso, o barbudo.
– São a melhor banda da década, acredita em mim.
– Oh, acredito, sim.
– Vão ser maiores do que os Artic Monkeys. Esta que ‘tás a ouvir é do terceiro álbum, que é o melhor, até agora. O próximo, acho eu, vai ser ainda melhor! Ainda mais próprio. Porque eles são esse tipo de banda, das que querem superar-se tornando-se cada vez mais particulares. Mostraram logo no início que não vão tentar agradar a ninguém, que não tocam pra críticos, nem sequer prá malta dos festivais. O nicho deles é muito particular: drogados do surf que deixaram a escola, e que, à sua maneira, vivem num suicídio faseado, como se quisessem durar, pelo menos, até aos trinta. É o poético, acho eu.
– Muito, muito poético!... Já leste Rimbaud?
– Não gosto. Mas vais ver, vai ser o mundo a correr atrás dos Growlers, não o contrário.

 

 

Correram os anos desde então – uns cinco, seis anos – e os Growlers desiludiram toda a gente (já os Artic Monkeys só desiludiram alguns fãs; mas isso fica-lhes bem, livra-os do risco de serem adoráveis). Do Hung at Heart, seguiu-se uma queda abrupta. Foi como se os primeiros aplausos lhes tivessem valido o direito à banalidade. Uma transição que, mais do que foleira, foi cobarde. O Chinese Fountain, sucessor de Hung at Heart, conservou ainda o beach-goth – essa mistura de surf rock, psicadelismo lo-fi e reggae –, mas conservou-o por mera cortesia, forçando-o a conviver com uma synth-pop de sorriso amarelo. Na altura, não fiz grande caso. Pensei que se tratasse apenas de uma experiência humorística. Afinal de contas, personalidade da banda fora, desde o início, cínica e dada à sátira; o que, para um fã como eu, só confirmava o génio de uma originalidade prematura (e ai de mim rever quaisquer convicções formadas no meu último ano de faculdade…).

 

 

Ora, derrotados nunca seriam os Growlers. A sua pureza de espírito tinha-se revelado na trilogia inicial – Are You in or Out?, Hot Tropics e Hung at Heart –, e sugeria-nos um ethos, de tal forma incorruptível, que só poderia fazer deles os autores de um festival anual chamado Beach Goth. Reunindo uma série de marginais populares como os Foxygen, Julian Casablancas, Die Antwoord e Gucci Mane, o Beach Goth Festival arvorara-se, em 2012, para celebrar a destemida criatividade da Califórnia. A intenção da banda parecia quase política na tentativa de promover uma cena musical. Como herdeiros do renascimento californiano dos sessenta, os Growlers chegaram a mostrar-se conservadores quanto à ideia de cena musical: cada banda deveria, a todo o custo, soar a si própria; deixando de lado a osmose que acabou por banalizar o punk, a synth-pop, o grunge e o garage rock revival dos 2000 (acuse-se as bandas do Sunset Strip de muita coisa, mas nunca de terem sido cópias umas das outras – o que é que os Doors, os Love, os Byrds e os Mamas and The Papas têm em comum? Terem todos tocado no Whisky a Go Go em 66, só isso).

 

 

Reza a lenda que Dan Auerbach, dos Black Keys, chegou a interessar-se de tal forma pelos Growlers que principiou a produzir as faixas do Hung at Heart. A produção foi profissionalíssima, límpida, pronta para o Top 40. Alegadamente, a banda detestou-a. Castrada da neblina e da anarquia da produção amadora, os Growlers despediram aquele Mefistófeles do indie-rock, e o Hung at Heart acabou por ser o melhor álbum que viriam a lançar. Como explicar, então, o pacto faustiano com Julian Casablancas? City Club, é o nome do pacto. Em 2016, os Growlers procuravam uma nova editora; tendo já privado com Julian Casablancas – a quem reservavam plebeia admiração –, a banda deixou a sua velha editora pela do vocalista dos Strokes – a Cult Records. Convém dizer que, para lá dos Strokes, todo o trabalho de Julian Casablancas é esquecível; mas lembrando que, ao contrário dos Growlers, os Strokes definiram uma época, e o seu sucesso chegou a atingir um pico, de tal forma vertiginoso, que uma descida abrupta, resultante da desagregação da banda em inócuos projetos a solo, não lhes feriu de forma alguma o bom nome. Assim, Casablancas pode continuar a brincar à synth-pop experimental sem que isso o magoe. Já o City Club, dos Growlers, é uma abominação a olhos vistos. Não sei se deva compará-lo a uma bonita rapariga que se maquilha como se fosse feia ou a uma rapariga feia que se maquilha como se fosse bonita. De qualquer das formas, é um mau álbum, chega a ser embaraçoso de se ouvir, e o facto de marcar o derradeiro divórcio com o beach-goth nem sequer o torna audaz – não há nada de individual no som, nada; o funk de matiné e a synth-pop cínica soam-nos a um casamento forçado e triste. E isso realmente devia tê-los feito parar. Mas não fez.

 

 

Em 2019, findo o affair desastroso com Julian Casablancas e a sua editora, os Growlers decidiram amar-se a si próprios e rumar sozinhos à indignidade: chama-se Natural Affair e conserva todos os defeitos dos dois álbuns anteriores; mas é mais ou menos abençoado por já não esperarmos muito da banda. Gosto até de uma das músicas, a «Pulp of Youth», cujo som é confortavelmente previsível e a letra confortavelmente banal:

 

 

Wine still cheap and red
Eyes still deep and true
Glasses raise again
Drink to the pulp of youth

Natural Affair não é sequer uma má surpresa. Tudo nele é óbvio, ordeiro, sequencial. De certa forma, é até desavergonhado – os Growlers não usam este álbum para desculparem os erros passados. E talvez isso os mantenha interessantes. Talvez… Mas, seja como for, é outro mau álbum por uma banda que em tempos se mostrou augusta. Como explicar então o declínio? Em 2013, os Growlers pareceriam reunir condições materiais e espirituais para serem grandes; e por mais tentador que seja culpar as nossas expectativas em relação a eles, o certo é que elas se justificavam. Os Growlers habituaram-nos, desde muito cedo, à ideia de que viveriam para eles próprios num mundo à parte. Depois mudaram. Porquê? Não, não foram os tentáculos maléficos de uma indústria que sacrifica a originalidade ao lucro. Se a indústria se interessou pelos Growlers foi porque eles se mostraram capazes de vender a imagem de uma banda incorruptível. Não foi sequer Julian Casablancas que procurou os Growlers para os fazer à sua imagem; foram os próprios que pediram para ser mudados, para serem reformulados num pacote mais pop, mais simpático. Há, aliás, boas razões para isso. Após anos numa tour de hedonismo surfista, os membros da banda casaram e tiveram filhos. A criança do triciclo, no videoclip da «Pulp of Youth», é o filho do próprio Brooks Nielson. E isso quer dizer alguma coisa. Quer dizer que a banda se cansou do seu mundo privado, tendo partido para um mundo mais público, mais comum, menos solitário. A tragédia dos Growlers, se se lhe pode chamar isso, é a de uma banda que se tornou original cedo demais, esgotando a liberdade de se tornar vulgar sem desiludir toda a gente.

 

 

Com tudo isto, a conclusão é a de que os apetites mudam. E, como cada um de nós vai percebendo, há sérias limitações numa vida dedicada a somente sermos nós próprios. Como líricos pós-universitários, os Growlers viram-se confrontados por uma dura bifurcação da vida prática: viver-se sozinho lá em cima, ou acompanhado cá em baixo. De certa forma, essa bifurcação tinha já sido antevista pela «Beach Rats»:

It's easy to forget about the world
outside of the town
Feeling free with no rules in the sea,
but even fish eventually drown
 

 




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