Links

ARQUITETURA E DESIGN














































































Outros artigos:

2021-06-20


O ANTECEDENTE CULTURAL DO PORTO NA TRANSIÇÃO PARA O SÉCULO XXI


2021-05-12


JOÃO NISA E AS 'PRIMEIRAS IMPRESSÕES DE UMA PAISAGEM'


2021-02-16


A ORDEM INVISÍVEL DA ARQUITECTURA


2021-01-10


SURENDER, SURENDER


2020-11-30


AS MULHERES NO PRIVATE PRESS MOVEMENT: ESCRITAS, LETRAS DE METAL E CHEIRO DE TINTA


2020-10-30


DES/CONSTRUÇÃO - OS ESPACIALISTAS EM PRO(EX)CESSO


2020-09-19


'A REALIDADE NÃO É UM DESENCANTO'


2020-08-07


FORA DA CIDADE. ARTE E LUGAR


2020-07-06


METROPOLIS, WORLD CITY & E.P.C.O.T. - AS VISÕES PARA A CIDADE PERFEITA IMAGINADAS POR GILLETTE, ANDERSEN E DISNEY


2020-06-08


DESCONFI(N)AR, O FUTURO DA ARQUITECTURA E DAS CIDADES


2020-04-13


UM PRESENTE AO FUTURO: MACAU – DIÁLOGOS SOBRE ARQUITETURA E SOCIEDADE


2020-03-01


R2/FABRICO SUSPENSO: ITINERÁRIOS DE TRABALHO


2019-12-05


PRÁTICAS PÓS-NOSTÁLGICAS / POST-NOSTALGIC KNOWINGS


2019-08-02


TEMPOS MODERNOS, CERÂMICA INDUSTRIAL PORTUGUESA ENTRE GUERRAS


2019-05-22


ATELIER FALA - ARQUITECTURA NA CASA DA CERCA


2019-01-21


VICARA: A ESTÉTICA DA NATUREZA


2018-11-06


PARTE II - FOZ VELHA E FOZ NOVA: PATRIMÓNIO CLASSIFICADO (OU NEM POR ISSO)


2018-09-28


PARTE I - PORTO ELEITO TRÊS VEZES O MELHOR DESTINO EUROPEU: PATRIMÓNIO AMEAÇADO PARA UNS, RENOVADO PARA OUTROS. PARA INGLÊS (NÃO) VER


2018-08-07


PAULO PARRA – “UMA TRAJECTÓRIA DE VIDA” NA GALERIA ROCA LISBON


2018-07-12


DEPOIS, A HISTÓRIA: GO HASEGAWA, KERSTEN GEERS, DAVID VAN SEVEREN


2018-05-29


NU LIMITE


2018-04-18


POLAROID


2018-03-18


VICO MAGISTRETTI NO DIA DO DESIGN ITALIANO


2018-02-10


GALERIA DE ARQUITETURA


2017-12-18


RHYTHM OF DISTANCES: PROPOSITIONS FOR THE REPETITION


2017-11-15


SHAPINGSHAPE NA BIENAL DA MAIA


2017-10-14


O TEATRO CARLOS ALBERTO DIALOGA COM A CIDADE: PELA MÃO DE NUNO LACERDA LOPES


2017-09-10


“VINTE E TRÊS”. AUSÊNCIAS E APARIÇÕES NUMA MOSTRA DE JOALHARIA IBEROAMERICANA PELA PIN ASSOCIAÇÃO PORTUGUESA DE JOALHARIA CONTEMPORÂNEA


2017-08-01


23 – JOALHARIA CONTEMPORÂNEA NA IBERO-AMÉRICA


2017-06-30


PASSAGENS DE SERRALVES PELO TERMINAL DE CRUZEIROS DO PORTO DE LEIXÕES


2017-05-30


EVERYTHING IN THE GARDEN IS ROSY: AS PERIFERIAS EM IMAGENS


2017-04-18


“ÁRVORE” (2002), UMA OBRA COM A AUTORIA EM SUSPENSO


2017-03-17


ÁLVARO SIZA : VISÕES DA ALHAMBRA


2017-02-14


“NÃO TOCAR”: O NOVO MUSEU DO DESIGN EM LONDRES


2017-01-17


MAXXI ROMA


2016-12-10


NOTAS SOBRE ESPAÇO E MOVIMENTO


2016-11-15


X BIAU EM SÃO PAULO: JOÃO LUÍS CARRILHO DA GRAÇA À CONVERSA COM PAULO MENDES DA ROCHA E EDUARDO SOUTO DE MOURA


2016-10-11


CENAS PARA UM NOVO PATRIMÓNIO


2016-08-31


DREAM OUT LOUD E O DESIGN SOCIAL NO STEDELIJK MUSEUM


2016-06-24


MATÉRIA-PRIMA. UM OLHAR SOBRE O ARQUIVO DE ÁLVARO SIZA


2016-05-28


NA PEGADA DE LE CORBUSIER


2016-04-29


O EFEITO BREUER – PARTE 2


2016-03-24


O EFEITO BREUER - PARTE 1


2016-02-16


GEORGE BEYLERIAN CELEBRA O DESIGN ITALIANO COM LANÇAMENTO DE “DESIGN MEMORABILIA”


2016-01-08


RESOLUÇÕES DE ANO NOVO PARA A ARQUITETURA E DESIGN EM 2016


2015-11-30


BITTE LEBN. POR FAVOR, VIVE.


2015-10-30


A FORMA IDEAL


2015-09-14


DOS FANTASMAS DE SERRALVES AO CLIENTE COMO ARQUITECTO


2015-08-01


“EXTRA ORDINARY” - JOVENS DESIGNERS EXPLORAM MATERIAIS, PRODUTOS E PROCESSOS


2015-06-25


PODE A TIPOGRAFIA AJUDAR-NOS A CRIAR EMPATIA COM OS OUTROS?


2015-05-20


BIJOY JAIN, STUDIO MUMBAI


2015-04-14


O FIM DA ARQUITECTURA


2015-03-12


TESOURO, MISTÉRIO OU MITO? A ESCOLA DO PORTO EM TRÊS EXPOSIÇÕES (PARTE II/II)


2015-02-11


TESOURO, MISTÉRIO OU MITO? A ESCOLA DO PORTO EM TRÊS EXPOSIÇÕES (PARTE I/II)


2015-01-11


ESPECTADOR


2014-12-09


ARQUITECTAS: ENSAIO PARA UM MANUAL REVOLUCIONÁRIO


2014-11-10


A MARCA QUE TEM O MEU NOME


2014-10-04


NEWS FROM VENICE


2014-09-08


A INCONSCIÊNCIA DE ZENO. MÁQUINAS DE SUBJECTIVIDADE NO SUPERSTUDIO*


2014-07-30


ENTREVISTA A JOSÉ ANTÓNIO PINTO


2014-06-17


ÍNDICES, LISTAGENS E DIAGRAMAS: the world is all there is the case


2014-05-15


FILME COMO ARQUITECTURA, ARQUITECTURA COMO AUTOBIOGRAFIA


2014-04-14


O MUNDO NA MÃO


2014-03-13


A CASA DA PORTA DO MAR


2014-02-13


O VERNACULAR CONTEMPORÂNEO


2014-01-07


PÓS-TRIENAL 2013 [RELAÇÕES INSTÁVEIS ENTRE EVENTOS, ARQUITECTURAS E CIDADES]


2013-11-12


UMA SUBTIL INTERFERÊNCIA: A MONTAGEM DA EXPOSIÇÃO “FERNANDO TÁVORA: MODERNIDADE PERMANENTE” EM GUIMARÃES OU UMA EXPOSIÇÃO TEMPORÁRIA NUMA ESCOLA EM PLENO FUNCIONAMENTO


2013-09-24


DESIGN E DELITO


2013-08-12


“NADA MUDAR PARA QUE TUDO SEJA DIFERENTE”: CONVERSA COM BEYOND ENTROPY


2013-08-11


“CHANGING NOTHING SO THAT EVERYTHING IS DIFFERENT”: CONVERSATION WITH BEYOND ENTROPY


2013-07-04


CORTA MATO. Design industrial do ponto de vista do utilizador


2013-05-20


VÍTOR FIGUEIREDO: A MISÉRIA DO SUPÉRFLUO


2013-04-02


O DESIGNER SOCIAL


2013-03-11


DRESS SEXY AT MY FUNERAL: PARA QUE SERVE A BIENAL DE ARQUITECTURA DE VENEZA?


2013-02-08


O CONSUMIDOR EMANCIPADO


2013-01-08


SOBRE-QUALIFICAÇÃO E REBUSCO


2012-10-29


“REGIONALISM REDIVIVUS”: UM OUTRO OLHAR SOBRE UM TEMA PERSISTENTE


2012-10-08


LEVINA VALENTIM E JOAQUIM PAULO NOGUEIRA


2012-10-07


HOMENAGEM A ROBIN FIOR (1935-2012)


2012-09-08


A PROMESSA DA ARQUITECTURA. CONSIDERAÇÕES SOBRE A GERAÇÃO POR VIR


2012-07-01


ENTREVISTA | ANDRÉ TAVARES


2012-06-10


O DESIGN DA HISTÓRIA DO DESIGN


2012-05-07


O SER URBANO: UMA EXPOSIÇÃO COMO OBRA ABERTA. NO CAMINHO DOS CAMINHOS DE NUNO PORTAS


2012-04-05


UM OBJECTO DE RONAN E ERWAN BOUROULLEC


2012-03-05


DEZ ANOS DE NUDEZ


2012-02-13


ENCONTROS DE DESIGN DE LISBOA ::: DESIGN, CRISE E DEPOIS


2012-01-06


ARCHIZINES – QUAL O TAMANHO DA PEQUENÊS?


2011-12-02


STUDIO ASTOLFI


2011-11-01


TRAMA E EMOÇÃO – TRÊS DISCURSOS


2011-09-07


COMO COMPOR A CONTEMPLAÇÃO? – UMA HISTÓRIA SOBRE O PAVILHÃO TEMPORÁRIO DA SERPENTINE GALLERY E O PROCESSO CRIATIVO DE PETER ZUMTHOR


2011-07-18


EDUARDO SOUTO DE MOURA – PRITZKER 2011. UMA SISTEMATIZAÇÃO A PROPÓSITO DA VISITA DE JUHANI PALLASMAA


2011-06-03


JAHARA STUDIO


2011-05-05


FALEMOS DE 1 MILHÃO DE CASAS. NOTAS SOBRE O CONCURSO E EXPOSIÇÃO “A HOUSE IN LUANDA: PATIO AND PAVILLION”


2011-04-04


A PROPÓSITO DA CONFERÊNCIA “ARQUITECTURA [IN] ]OUT[ POLÍTICA”: UMA LEITURA DISCIPLINAR SOBRE A MEDIAÇÃO E A ESPECIFICIDADE


2011-03-09


HUGO MADUREIRA: O ARTISTA-JOALHEIRO


2011-02-07


O QUE MUDOU, O QUE NÃO MUDOU E O QUE PRECISA MUDAR


2011-01-11


nada


2010-12-02


PEQUENO ELOGIO DO ARCAICO


2010-11-02


CABRACEGA


2010-10-01


12ª BIENAL DE ARQUITECTURA DE VENEZA — “PEOPLE MEET IN ARCHITECTURE”


2010-08-02


ENTREVISTA | FILIPA GUERREIRO E TIAGO CORREIA


2010-07-09


ATYPYK PRODUCTS ARE NOT MADE IN CHINA


2010-06-03


OS PRÓXIMOS 20 ANOS. NOTAS SOBRE OS “DISCURSOS (RE)VISITADOS”


2010-05-07


OBJECTOS SEM MEDO


2010-04-01


O POTENCIAL TRANSFORMADOR DO EFÉMERO: A PROPÓSITO DO PAVILHÃO SERPENTINE EM LONDRES


2010-03-04


PEDRO + RITA = PEDRITA


2010-02-03


PARA UMA ARQUITECTURA SWISSPORT


2009-12-12


SOU FUJIMOTO


2009-11-10


THE HOME PROJECT


2009-10-01


ESTRATÉGIA PARA HABITAÇÃO EVOLUTIVA – ÍNDIA


2009-09-01


NA MANGA DE LIDIJA KOLOVRAT


2009-07-24


DA HESITAÇÃO DE HANS, OU SOBRE O MEDO DE EXISTIR (Parte II)


2009-06-16


DA HESITAÇÃO DE HANS, OU SOBRE O MEDO DE EXISTIR


2009-05-19


O QUE É QUE SE SEGUE?


2009-04-17


À MESA COM SAM BARON


2009-03-24


HISTÓRIAS DE UMA MALA


2009-02-18


NOTAS SOBRE PROJECTOS, ESPAÇOS, VIVÊNCIAS


2009-01-26


OUTONO ESCALDANTE OU LAPSO CRÍTICO? 90 DIAS DE DEBATE DE IDEIAS NA ARQUITECTURA PORTUENSE


2009-01-16


APRENDER COM A PASTELARIA SEMI-INDUSTRIAL PORTUGUESA OU PORQUE É QUE SÓ HÁ UMA RECEITA NO LIVRO FABRICO PRÓPRIO


2008-11-20


ÁLVARO SIZA E O BRASIL


2008-10-21


A FORMA BONITA – PETER ZUMTHOR EM LISBOA


2008-09-18


“DELIRIOUS NEW YORK” EXPLICADO ÀS CRIANÇAS


2008-08-15


A ROOM WITH A VIEW


2008-07-16


DEBATER CRIATIVAMENTE A CIDADE: A EXPERIÊNCIA PORTO REDUX


2008-06-17


FOTOGRAFIA DE ARQUITECTURA, DEFEITO E FEITIO


2008-05-14


A PROPÓSITO DA DEMOLIÇÃO DO ROBIN HOOD GARDENS


2008-04-08


INTERFACES URBANOS: O CASO DE MACAU


2008-03-01


AS CORES DA COR


2008-02-02


Notas sobre a produção arquitectónica portuguesa e sua cartografia na Architectural Association


2008-01-03


TARZANS OF THE MEDIA JUNGLE


2007-12-04


MÚSICA INTERIOR


2007-11-04


O CIRURGIÃO INGLÊS


2007-10-02


NÓS E OS CARROS


2007-09-01


Considerações sobre Tempo e Limite na produção e recepção da Arquitectura


2007-08-01


A SUBLIMAÇÃO DA CONTEMPORANEIDADE


2007-07-01


UMA MITOLOGIA DE CARNE E OSSO


2007-06-01


O LUGAR COMO ARMADILHA


2007-05-02


ESPAÇOS DE FILMAR


2007-04-02


ARTES DO ESPAÇO: ARQUITECTURA/CENOGRAFIA


2007-03-01


TERRAIN VAGUE – Notas de Investigação para uma Identidade


2007-02-02


ERRARE HUMANUM EST…


2007-01-02


QUANDO A CIDADE É TELA PARA ARTE CONTEMPORÂNEA


2006-12-02


ARQUITECTURA: ESPAÇO E RITUAL


2006-11-02


IN SUSTENTÁVEL ( I )


2006-10-01


VISÕES DO FUTURO - AS NOVAS CIDADES ASIÁTICAS


2006-09-03


NOTAS SOLTAS SOBRE ARQUITECTURA E TECNOLOGIA


2006-07-30


O BANAL E A ARQUITECTURA


2006-07-01


NOVAS MORFOLOGIAS NO PORTO INDUSTRIAL DE LISBOA


2006-06-02


SOBRE O ESPAÇO DE REPRESENTAÇÃO MODERNO


2006-04-27


MODOS DE “VER” O ESPAÇO - A PROPÓSITO DE MONTAGENS FOTOGRÁFICAS



COMPREENSÃO DA CIDADE DO PORTO ATÉ AO SÉCULO XX

RICARDO MARTINS E GONÇALO FURTADO


27/07/2021

 

 

A cidade do Porto estabelece-se numa região litoral e granítica estáveis, como constata Daveau, junto ao rio Douro [1]. Foi o vale deste rio que definiu a morfologia da paisagem até à foz e, (juntamente com outros cursos de água) a urbanidade.

A população nele encontrou forma, segundo Moreno, de comunicar e praticar o comércio [2], sendo determinante para o desenvolvimento sociocultural e económico. Existe de facto vestígios que retomam à pré-história, bem como achados de implantações estratégicas para controlo das bacias, e zonas de exploração de recursos e acesso a vias que compõem um sistema em torno do Morro da Sé (img.1), segundo Corrêa [3] (mapa.1).

Vestígios de uma muralha do burgo junto da catedral, indica o núcleo originário bem como a apropriação de estruturas da cultura castreja e a romanização do Noroeste Peninsular. Após as guerras Cântabras de 29 a.C. – 19 a.C, e as reformas de Augusto, deu-se a separação da Lusitânia pelo Douro integrando-se na província Tarraconense, numa reorganização administrativa, baseada em centros urbanos estruturados por uma rede viária, como explica Ramos [4], e assiste-se ao emergir da Callaecia que se autonomiza como província nos finais do século III. Até ao domínio asturiano, o Morro da Sé é denominado como Calem [5], como explica o mesmo autor, posto intermédio na rota Norte-sul, de Lisboa (ab Olisipone) até Braga (Bracara), situado entre Lancobriga (Castro de Fiães, Santa Maria da Feira) e de Bracara (Braga). A denominação Portucale advém de civitas “Cale” e do seu porto, pelo qual será denominado o próprio país. Fundações que vão originar a cidade a que se chamaria Porto, sobre o Morro da Sé.

A evolução de Portucale, como explica Machado, atravessou período de conflitos, pelas evasões germânicas sobre o império romano do ocidente, fragmentando-o em províncias. Nesta época de domínio suevo e visigodo, assiste-se a uma instabilidade regional, em que emerge um protagonismo portucalense, que se tornará expressivo na alta idade média. Durante este período, aumenta a ocupação, na zona ribeirinha. No final deste período, ocorre a conquista do Norte Peninsular pelos Muçulmanos, que avançaram pelo estreito de Gibraltar, em 712 d.c, subjugando a Lusitânia e Portucale [6].

No entanto, em 820, Vímara Peres, vassalo cristão de Afonso III das Astúrias e fundador do burgo de Vimaranis (atual Guimarães), reconquista a região do Minho e do Douro sendo o primeiro conde de Portucale. Durante 50 anos, a região ficou abandonada até 868, altura em que se iniciou o repovoamento e renovação urbana. A partir daí, assume protagonismo político e militar, com a criação do condado.

Ramos salienta que o Porto emergiu para a história, nas vésperas de haver Portugal [7]. Mais explica o autor que no período medieval transitou para uma cidade então confinada dentro de um muro, no alto da Pena Ventosa. Foi esta a imagem que os cruzados ingleses, segundo Ramos [8], se depararam quando, a convite do bispo D. Pedro Pitões, uma cidade pequena, com uma catedral-ermita. Com a vinda de D. Hugo, em 1114, surgiu segundo Barroco, “uma nova fase de relativa uniformidade quanto ao ritmo de expansão e desenvolvimento” [9]. Neste pequeno núcleo, segundo Corrêa, agruparam-se os poderes políticos e religiosos, “no castelo e casas que estão dentro do muro velho” [10]. Dentro da cerca, em meados do século XII, havia uma ermida-catedral, um cemitério, casas do prelado e dos clérigos, e casas dos moradores, um paço municipal, em madeira sobre as fundações da antiga ermita visigótica, junto à Sé. Segundo Machado, é a partir deste momento que lentamente o Porto arranca para fora da cerca velha. Fenómeno comum no Ocidente, e mais tardio em Portugal, sendo justificado pelas circunstâncias políticas com Castela [11]. Só depois das conquistas de Santarém e Lisboa (1147), assegurando o domínio litoral sobre o Tejo, é que as regiões do Norte adquiriram segurança, assim o Porto cresceu com o assegurar da Estremadura e Beiras. Passa de Porto-cidade, atrás de uma cerca e com apenas uma ermita no fundo, a uma “cidade” chamada Vila Baixa, na baixa portuense, como explica Ramos. A cidade cumpre-se junto ao rio, já não se exprime como “vila do bispo, mas antes um cruzamento viário” [12]. Com a nova imagem de “Porto-cidade”, distancia-se da relação com o bispo e abraça a burguesia.

Como explica o mesmo autor, o desenvolvimento urbano dos finais do séc. XIV é expresso pelo crescimento além muralhas, em direção aos arrabaldes em torno das vias de comunicação mais importantes (Ruas Direitas e Ruas Novas) de traçado mais retilíneo e alargado, segundo Teixeira [13]. Foram construídas várias Ruas Novas que adquiriram uma importância como eixos estruturantes da urbe e para o comércio [14]. No Porto, a Rua Nova, com D. João I, teve impacto para a redefinição da zona ribeirinha e respetiva ligação à cota alta. Com a expansão da cidade, era necessário outra cerca (mapa.2) mais larga para defender a cidade, em meados do século XIV (Fernandina) no reinado de D. Afonso IV [15]. Segundo Ferreira, a muralha era funcional, respondendo à permeabilidade da vida mercantil com um sistema de portas e postigos (em 1402 são referidas oito portas e quatro postigos) : “de Cimo de Vila; do Olival; de Miragaia; postigo dos Banhos; postigo de sob as casas de Gonçalo Martins; de sob as casas de Vasco Pires; da Fonte da Ourinha; da Ponte das Tábuas; da Ribeira; postigo de João Ancho; e postigo da Lada [16].

Durante a segunda metade do séc. XV e inícios do séc. XVI, assistiu-se a um movimento de renovação e expansão urbanística, associado à estruturação viária, de espaço público e edificado, quer institucional, quer residencial (bairros), seguindo princípios urbanísticos de regularidade, fazendo-se a referência da construção dos Lóios e do convento de Santa Clara. Foram adotadas medidas de regulamentação, ordenamento, de higienização e de manutenção, que expressam a preocupação pelo estado de insalubridade urbana, com a densificação do casario e de ruas estreitas, como explica Rossa [17]. O Porto desenvolve-se em torno de vários núcleos urbanos que dominavam o perfil do burgo. A intervenção régia na zona ribeirinha, provoca uma mudança nos critérios de poder, tendo os clérigos sido remetidos ao Morro da Sé. Nos finais do séc. XV, com o aforamento dos terrenos da cerca conventual dominicana, procedeu-se a edificação e a abertura de novos arruamentos, que permitiram a rápida urbanização das margens do Rio da Vila, até a Rua dos Carros, como explica Real e Tavares [18].

No séc. XVI, Portugal entra em crise de sucessão. O trono é delegado a Filipe I, (II de Espanha) iniciando a dinastia Filipina em Portugal. Neste período procederam-se transformações socioeconómicas, que vão gerar novos desenvolvimentos. É dada prioridade à continuação da urbanização das margens do Rio da Vila e ao eixo de ligação da zona ribeirinha à Porta dos Carros, como explicam os mesmos autores [19]. No caso das margens do Rio da Vila, surgem novas edificações, o mosteiro de S. Bento de Ave Maria (1518) (img.2); de São Bento da Vitória (nos finais do século XVI) (img.3); O farol do Anjo (1538) (img.4) e a Torre da Marca (1542) (img.5), segundo Moreira [20]; a Igreja de São João da Foz (1546), iniciando a povoação da Foz do Douro; e a abertura de duas ruas estruturantes na cidade, a Rua de Santa Catarina, e a Rua das Flores (1521), segundo Ramos [21].

No séc. XVII, ainda sobre domínio espanhol, a cidade densificava-se no interior das muralhas, com o aumento da população, e apenas com alguma expressão nas ruas de saída. Foram erguidos edifícios, como a construção do primeiro Tribunal da Relação (1607) (img.6), e as Igrejas; Das Carmelitas Descalças (1658) (img.7), e dos Congregados do Oratório (1680) (img.8). Surgiram os espaços verdes públicos, a Alameda-jardim da Cordoaria. Foram progressivamente requalificando locais para o público, como o chafariz no campo das hortas, o da nossa senhora da batalha e o dos flamengos. Nos finais do século XVII, os espaços públicos surgem mais presentes que no início do século. Procede-se à urbanização do Campo das Hortas, e dos vários rossios presentes na cidade, seguindo o exemplo da Praça da Ribeira (img.9). Os espaços públicos extramuros desenvolveram um papel estruturante para o desenvolvimento da cidade, como explica Ramos [22].

No início séc. XVIII, a cidade encontra-se com pouca expressão fora das muralhas. Contudo vai avançar com mais presença para fora da muralha, através do plano Almadino (de João de Almada e Melo), para renovar a cidade e ordenar o crescimento nas vias de principal acesso. Foram reestruturadas as ruas de Cedofeita, de Santa Catarina, rua Direita (atual Rua de Santo Ildefonso), do Reimão (atual Avenida Rodrigues Freitas, dos Quartéis (atual rua de D. Manuel II), a Calçada da Natividade (atual rua dos Clérigos), a rua Nova das Hortas, seguindo conceitos de unidade urbana, onde se privilegia o conjunto arquitetónico e não o edificado isolado. Deste plano resultaram novas praças, como a de São Roque (entre a rua do Souto e a rua das Flores) e de Santo Ovídio; a renovação da Ribeira, e a abertura das ruas de São João e do Almada, com um perfil mais amplo e com passeios, formando um eixo longitudinal estruturante na cidade, desde a praça da Ribeira, até a de Santo Ovídio, segundo Alves [23]. Avançaram as obras e reconstruções do edificado: Palácio do Freixo, em meados do século; obras na capela-mor da Sé (1729); a Casa-Museu Guerra Junqueiro junto à Sé (1730) (img.10); a Igreja de Santo Ildefonso, no cimo da Rua Direita (1739) (img.11); reconstrução da Igreja da Misericórdia (1748) (img.12); a Casa do Despacho da Ordem Terceira de São Francisco (1752); a Igreja da Nossa Senhora da Lapa (1755) (img.13); a reconstrução da Igreja de Nossa Senhora da Vitória (1755); a Igreja da Nossa Senhora do Terço (1759) (img.14); a Igreja e Torre dos Clérigos (1763) (img.15); reconstrução do Tribunal da Relação (1765); inicio da construção do Hospital de Santo António (1770); inicio da construção do Hospital de Santo António (1770) (img.16); a construção do Quartel de Santo Ovídio (img.17), como descreve Ramos [24]. Nos finais do séc. XVIII, a cidade expande-se para as zonas periféricas progressivamente e muralha é demolida gradualmente (mapa.3).

No séc. XIX, como explica Ferrão, a forma da cidade começa a transformar-se, suportada pela Rua do Almada e pelas cinco vias de saída da cidade. As cartografias (1813; 1839; 1865; 1892), definem três áreas caracterizadoras das evoluções da estrutura urbana, sendo elas o núcleo central compreendido entre a rua do Calvário, calçada dos Clérigos, Largo Santo Ildefonso, a rua do Postigo Sol e o Douro; uma área central mais alargada, compreendida entre as ruas de Cedofeita e Santa Catarina, tendo a praça da República como limite norte; e a terceira, a área periférica estruturada pelas cinco vias de saída da cidade: para Matosinhos, Viana do Castelo, Braga, Guimarães e Penafiel [25].

Segundo Oliveira, a planta de 1813, no interior do núcleo central, com as ruas sinuosas e estreitas, identificam-se como estruturantes, as ruas das Flores e de Belmonte com um traçado orgânico, e as ruas dos Ingleses (atual rua do Infante D. Henrique) e de S. João, com um desenho regular, afirmando-se a última como troço inicial que se prolonga através da rua do Almada, eixo central de expansão da cidade do século XIX, que dá ligação entre as praças da Ribeira e Santo Ovídio (atual praça da República). Nas novas ruas, o edificado segue um parcelamento regular, utilizando elementos modelares que se repetem na composição das fachadas. Para além das duas primeiras áreas (núcleo e área central alargada), destacam-se duas zonas onde se desenha uma malha ortogonal, uma a Norte do Hospital de Santo António, e outra corresponde ao Bonfim. A primeira zona é estruturada pelas ruas de Adolfo Casais Monteiro, do Rosário, de Miguel Bombarda e do Breiner. A segunda zona mais consolidada é estruturada pelas ruas de Santa Catarina, da Alegria, Formosa e Fernandes Tomás, como explica o autor [26]. Ainda neste período, há memória da ponte das barcas (1806- 1809) e a construção da Real Academia Marinha e Comércio da cidade do Porto (1807), segundo Silva [27].

A planta de 1839 apresenta um conjunto de alterações, para além da consolidação das duas zonas identificadas na área periférica. Identificaram duas zonas de urbanização: uma assente no prolongamento da rua da Boavista para poente, a outra localizada a nascente da praça da República e estruturada pelas ruas Gonçalo Cristóvão e de Camões. A zona a norte dos Hospital de Santo António traduz-se na edificação das ruas abertas no início do século. Na zona do Bonfim traduz-se para além dos elementos edificados, na abertura da rua Firmeza e no prolongamento das ruas de Fernandes Tomás e da Alegria, como explicado pelo mesmo autor [28]. Neste período salienta-se também a abertura do jardim de São Lazaro (1834), a arborização da praça Nova (atual praça da Liberdade, em 1838), a abertura ao público do Mercado do Anjo e do Bolhão (1839) (img.18).

A planta de 1865, apresenta no interior do núcleo central, a construção do Palácio da Bolsa (img.19), demarcando assim um novo centro financeiro e simbolizando o poder da associação comercial, criada em 1813. Na área periférica, regista-se evolução das quatros zonas identificadas anteriormente [29]. Por último, regista-se a construção do Palácio de cristal (1865) (img.20), na zona ocidental da cidade, pontuando de forma decisiva o início da expansão para poente, como tudo explica Oliveira [30]. Salienta-se também neste período, a inauguração da Ponte Pênsil (1843) e a ligação ferroviária de Lisboa a Vila Nova de Gaia, com terminal na estação das Devesas (1864).
A planta de 1892 representa a totalidade da cidade, incluindo a Foz. A área central mais alargada, imediatamente exterior à área do núcleo central, passa delimitar-se pelas ruas de Cedofeita, Boavista, Antero de Quental, Constituição e Santos Pousada. Na área periférica é visível o desenvolvimento de dois eixos nascente-poente: a Avenida da Boavista (aberta até a Fonte da Moura em 1892) e a rua da Constituição. No núcleo central, a rua do Mouzinho da Silveira torna-se o principal eixo de comunicação entre a ribeira e a praça da Liberdade. Relativamente às áreas periféricas em expansão, a norte do Hospital de Santo António, encontra-se estabilizada, com os mesmos limites, enquanto que na Lapa e Bonfim, continuou o desenvolvimento da malha. Na parte oriental da cidade, constata-se o desenvolvimento de um conjunto de ruas de traçado radial em volta do Largo do Cemitério do Prado do Repouso e que constituem a estrutura base desta área. Salienta-se também as várias estruturas que surgem no intervalo temporal, como a Inauguração do troço ferroviário da linha do Minho até Nine, e da linha do Douro, até Penafiel; e a conclusão da ligação entre a estação da Boavista e a Póvoa de varzim (1875), a inauguração da ponte D. Maria, que permite a passagem do comboio para o Porto (1877) (img.21), a construção do Porto de Leixões (1884-95), a abertura do Mercado Ferreira Borges [31] (1885) (img.22), o ajardinamento da praça do Infante D. Henrique (1887).

Com base nos vários autores referenciados ao longo do presente texto, é possível entender a compreensão da cidade do Porto na viragem para o século XX. Os grandes desafios que a cidade se deparou em termos de utilização do espaço e do seu desenvolvimento. Lições que não devemos esquecer na base de melhorar o entender do que sob ela existiu.

 

 

Ricardo Martins
Finalista do Mestrado da Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto. Participou em evento académicos, concurso à imagem da iluminação da cidade de Penafiel (Câmara Municipal de Penafiel) em 2015 e o IJUP 2021.

Gonçalo Furtado
Licenciado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade do Porto, Mestre pela Universidade Politécnica da Catalunha, e doutorado pela University College of London, bolseiro da Fundação para a Ciência e Tecnologia. É professor de Teoria da FAUP, tendo no passado lecionado na Faculdade de Engenharia e sido professor visitante na Escola de Barcelona. Autor de vários livros, integra ainda o corpo editorial de algumas revistas e publica regularmente sobre temas pós-modernos e contemporâneos. Em 2008 foi premiado pela WOSC (UK) com “Kybernetes Research Award: Highly commended paper" e em 2010 pelo IIAS (Canada) com o “Outstanding Scholarly Contribution Award 2010”.
 

:::


Notas

[1] DAVEAU, Suzanne, “L’evolution géomorphologique quaternaire au Portugal, «Supl. Bol.», AFEQ, nº 50, INQUIA, 1977;
[2] MORENO, Humberto Baquero, “A Navegabilidade do rio Douro nos séculos XVI e XVII, «Gaya», nº 5, Vila Nova de Gaia, 1990;
[3] CORRÊA, Mendes, “As Origens da Cidade do Porto” 1935, 2ª edição (revista e ampliada), pag.13;
[4] RAMOS, Luís A. De Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994, pag.81;
[5] Ibi Idem, pag.83;
[6] MACHADO, António de Sousa, “As Origens da cidade do Porto” Ed. do A, 1980, pag.65-66;
[7] RAMOS, Luís A. De Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994, pag.120;
[8] Ibi Idem, pag.124;
[9] BARROCA, Mário J., “As escavações de Mendes Correia na Cividade (1932) e as origens da cidade do Porto, «Arqueologia», nº 10, Porto, 1984;
[10] CORRÊA, Mendes, “As Origens da Cidade do Porto” 1935, 2ª edição (revista e ampliada), pag.14;
[11] MACHADO, António de Sousa, “O Porto Mediévico”, Editores Tavares Martins, 1968, Porto, pag. 53-54;
[12] RAMOS, Luís A. De Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994, pag.135;
[13] Ibi Idem, pag. 141;
[14] TEIXEIRA, Manuel C.; VALLA, Margarida – O Urbanismo Português: Séculos XIII-XVIII Portugal-Brasil, Livros Horizonte, 1999, p. 30;
[15] RAMOS, Luís A. De Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994, pag.138;
[16] Vereações (anos de 1401-1449), ed. J. A. P. Ferreira, Porto, 1980;
[17] ROSSA, Walter, “A urbe e o traço: uma década de estudos sobre o urbanismo português. Coimbra: Almedina”, Livraria Almedina, 2002, pag.242;
[18] REAL, Manuel Luís, TAVARES, Rui – “Bases para a compreensão do desenvolvimento urbanístico do Porto”. Povos e Culturas, nº 2. Lisboa: Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa”,1987, pag. 399;
[19] Ibi Idem, pag. 400;
[20] MOREIRA, Rafael, “Arquitectura: Renascimento e classicismo. In: PEREIRA, Paulo (Dir. de) – História da arte portuguesa. Lisboa: Temas e Debates, 1995-1999, vol. 2, pag. 303;
[21] OLIVEIRA, José Manuel Pereira de – “Espaço urbano do Porto: Condições Naturais e desenvolvimento”, Centro de estudos Geográficos Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, 1973, pp. 242-243;
[22] RAMOS, Luís A. De Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994, pág.263;
[23] ALVES, Joaquim Jaime B. Ferreira, “O Porto na Época dos Almadas: Arquitetura. Obras Públicas”, Faculdade de Letras do Porto, Porto, volume 1, 1988, pág. 203;
[24] RAMOS, Luís A. De Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994, pág. 381;
[25] FERRÃO, Bernardo José, “Projeto e Transformação Urbana do Porto na Época dos Almadas 1758/1813”, Edições FAUP, 1989, Porto, pág. 205;
[26] OLIVEIRA, Vítor Manuel Araújo, “A Evolução das Formas Urbanas de Lisboa e Porto nos Séculos XIX e XX”, Porto, U.Porto editorial, 2013, pag.113;
[27] SILVA, Augusto Santo – A Burguesia Comercial Portuguesa e o Ensino da Economia – O exemplo da Escola do Porto (1837 - 1838) «Análise Social», nº 61-62, Lisboa, 1980;
[28] OLIVEIRA, Vítor Manuel Araújo, “A Evolução das Formas Urbanas de Lisboa e Porto nos Séculos XIX e XX”, Porto, U.Porto editorial, 2013, pag.114;
[29] A norte do Hospital de Santo António, o prolongamento da rua Adolfo Casais Monteiro, e por outro lado a edificação quase completa dos eixos nascente-poente. Primeiro as ruas do Breiner e de Miguel Bombarda. Em segundo, correspondem ao Bonfim, identificando-se a abertura de duas novas ruas, Santos Pousada e Moreira: que vão cosendo a malha existente. Em terceiro, o prolongamento da rua da Boavista e a construção de um equipamento estruturante no extremo desse eixo, o Hospital Militar. Pode verificar-se que o ritmo de construção do edificado não acompanha o ritmo de construção do traçado da Boavista. Quanto à quarta zona, a nascente da praça de Santo Ovídio, não sofreu, nos 16 anos que separam as duas plantas, alterações significativas
[30] Ibi Idem, pag.114-115;
[31] SOUSA, Fernando de – Jornal de Notícias. A memória de um Século (1888-1988), Porto, 1989.

 


:::


Bibliografia

ALVES, Joaquim Jaime B. Ferreira, “O Porto na Época dos Almadas: Arquitetura. Obras Públicas”, Faculdade de Letras do Porto, Porto, volume 1, 1988
BARROCA, Mário J., “As escavações de Mendes Correia na Cividade (1932) e as origens da cidade do Porto, «Arqueologia», nº 10, Porto, 1984;
CORRÊA, Mendes, “As Origens da Cidade do Porto” 1935, 2ª edição (revista e ampliada);
DAVEAU, Suzanne, “L’evolution géomorphologique quaternaire au Portugal, «Supl. Bol.», AFEQ, nº 50, INQUIA, 1977;
FERRÃO, Bernardo José, “Projeto e Transformação Urbana do Porto na Época dos Almadas 1758/1813”, Edições FAUP, 1989, Porto
MACHADO, António de Sousa, “O Porto Mediévico”, Editores Tavares Martins, 1968, Porto;
MACHADO, António de Sousa, “As Origens da cidade do Porto” Ed. do A, 1980;
MOREIRA, Rafael, “Arquitectura: Renascimento e classicismo. In: PEREIRA, Paulo (Dir. de) – História da arte portuguesa. Lisboa: Temas e Debates, 1995-1999, vol. 2
MORENO, Humberto Baquero, “A Navegabilidade do rio Douro nos séculos XVI e XVII, «Gaya», nº 5, Vila Nova de Gaia, 1990;
OLIVEIRA, Vítor Manuel Araújo de Oliveira, “A Evolução das Formas Urbanas de Lisboa e Porto nos séculos XIX e XX”, U.Porto Editorial, Porto, 2013;
RAMOS, Luís A. De Oliveira, “História do Porto”, Porto Editora, 1994;
REAL, Manuel Luís, TAVARES, Rui – “Bases para a compreensão do desenvolvimento urbanístico do Porto”. Povos e Culturas, nº 2. Lisboa: Centro de Estudos dos Povos e Culturas de Expressão Portuguesa”,1987
ROSSA, Walter, “A urbe e o traço: uma década de estudos sobre o urbanismo português. Coimbra: Almedina”, Livraria Almedina, 2002
SILVA, Augusto Santo – A Burguesia Comercial Portuguesa e o Ensino da Economia – O exemplo da Escola do Porto (1837 - 1838) «Análise Social», nº 61-62, Lisboa, 1980;
SOUSA, Fernando de – Jornal de Notícias. A memória de um Século (1888-1988), Porto, 1989
TEIXEIRA, Manuel C.; VALLA, Margarida – O Urbanismo Português: Séculos XIII-XVIII Portugal-Brasil, Livros Horizonte, 1999, p. 30;
Vereações (anos de 1401-1449), ed. J. A. P. Ferreira, Porto, 1980;