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ARTES PERFORMATIVAS


ALBUQUERQUE MENDES: CORPO DE PERFORMANCE

PAULA PINTO

2021-09-19



 

Albuquerque Mendes, Ritual, I Festival de Performance de la Ville de Paris, Paris. 12-19 Março 1982. Fotografia © Gérald Dens

 


A exposição Albuquerque Mendes: Corpo de Performance, patente até 3 de Outubro no Museu da Vila Velha, em Vila Real, inventaria a performance como um meio nuclear da expressão artística de Albuquerque Mendes desde 1974. Transferindo o foco do objecto artístico para o corpo, da configuração formal para a gestualidade, da perspectiva contemplativa do observador para uma relação intrusiva com o público, da construção dos valores estéticos representativos da história da arte para a sua desconstrução através da valorização da acção ao vivo e da saída da instituição cultural para a rua, as práticas artísticas da performance não se reduzem à catalogação de um novo médium e não devem ser reduzidas aos eventos em si, uma vez que são um reflexo das transformações sociais e políticas da época e se reflectem noutras formas de produção cultural.  

Precursor da performance arte em Portugal nos anos 70, Albuquerque Mendes (Trancoso, 1953) tem privilegiado o cruzamento entre práticas disciplinares como a pintura, a colagem, o teatro e a encenação, expandindo as suas acções para o espaço público e abrindo-as a um meio social arredado da cultura artística. À aprendizagem do processo de trabalho colectivo que desenvolveu enquanto aluno do Círculo de Artes Plásticas de Coimbra e à presença e participação em festivais nacionais e internacionais de performance que a experiência artística lhe proporcionou, Albuquerque Mendes associou a performatividade social própria da abertura democrática que se viveu em Portugal a partir de 1974. Esta exposição é um primeiro olhar retrospectivo para esse corpo de performance. 

Cobrindo cinco décadas e cinco dezenas de performances de Albuquerque Mendes, esta exposição constrói-se de recolhas de documentação audiovisual e literária: cartazes, catálogos de exposições, recortes de notícias de jornais, registos áudio, correspondência, objectos directamente associados às performances, fotografias, filmes e vídeos compilados por fotojornalistas, críticos de arte, galeristas, familiares e amigos. Tratando-se de acções efémeras e irrepetíveis, a documentação inédita que aqui se reúne permite passar da ausência de um discurso histórico à rememoração e ao contacto com acções concretas. A organização retrospectiva dos diversos materiais permite uma melhor compreensão do contexto social, cultural e político do trabalho de Albuquerque Mendes e a percepção de alguns grupos temáticos em torno dos quais a performance de Albuquerque Mendes se tem vindo a organizar: as primeiras manifestações de criação colectiva que foram precursoras das primeiras acções ao vivo assumidas como performances (1970-74), os rituais em espaços públicos associados às grandes transformações sociais e políticas trazidas pelo contexto da revolução de abril (a partir de 1975), intervenções que tiveram a dança como denominador comum (a partir de 1976) e, por exclusão, um último grupo denominado “outras confissões”. Reunir diferentes materiais alusivos às performances de Albuquerque Mendes nas últimas cinco décadas permite também reflectir sobre os respectivos meios de documentação e sobre a importância da inscrição histórica desta forma de expressão artística. Profundamente documental, esta não é, apesar disso, uma exposição de documentos. 

 

Vistas da exposição Albuquerque Mendes: Corpo de Performance, Museu da Vila Velha, Vila Real. Cortesia da curadora e Museu da Vila Velha.

 

Um extenso levantamento e tratamento dos variados materiais documentais levou à compilação de 51 cartazes que sumarizam a investigação realizada. Como momentos de divergência entre imagem e obra, para lá da sua materialidade ou conceptualismo, estes documentos visuais ou literários apresentam uma perspectiva diferenciada e exterior ao próprio artista, substituindo-se a uma acção que já não pode ser repetida nem experienciada de novo. No seu conjunto tornam possível o questionamento do percurso de um artista na performance, dos diálogos estabelecidos com outros artistas, da organização dos eventos e dos agentes neles envolvidos, dos seus reflexos na imprensa, da utilização de diferentes media ou das mudanças que diferentes contextos socioculturais produzem em intervenções aparentemente semelhantes. Exteriores ao sujeito da performance e à sua acção, os documentos tomam a posição do espectador, sem o isentarem do contexto experienciado. O resultado da fotografia a preto e branco não é igual ao da fotografia a cores, a fotografia não revela o mesmo que o vídeo ou o filme, o documento amador não tem a narrativa do documento profissional, a escrita do crítico de arte não se assemelha à do jornalista, e o documento sonoro acrescenta uma dimensão pública dos acontecimentos e afasta-os de leituras históricas demasiado filtradas. 

 

Cartaz "1975, Segundos Encontros Internacionais de Arte em Portugal", na exposição Albuquerque Mendes: Corpo de Performance, Museu da Vila Velha, Vila Real. Cortesia da curadora e Museu da Vila Velha.

 

Arte por excelência experimental e efémera, porque vive do momento específico em que decorre e do público que a acolhe, sem possibilidade de ensaio ou repetição que permitam ao artista distanciar-se ou ter qualquer relação de exterioridade com a sua apresentação, não deixa de ser pertinente que a única forma de a analisarmos no tempo seja através de uma fotografia, de um filme ou de um qualquer registo aural ou literário. Se a performance vive da partilha de um momento único e essa condicionante tem impossibilitado o seu estudo, a sua história merece uma reflexão crítica e o seu entendimento precisa de analisar as metamorfoses impostas pelo passar do tempo. 

Albuquerque Mendes desenvolveu a sua actividade performativa a par de outras formas de expressão artística como a pintura, o desenho e a colagem. Umas formas de expressão têm influenciado as outras e misturam-se de diferentes modos. Não podemos esquecer que, como autodidata, este artista chegou às artes não através de uma aprendizagem da técnica, própria da tradição disciplinar académica do ensino das Belas-Artes, mas partindo de um enorme sentido de liberdade que lhe foi conferido através do experimentalismo e dos exercícios de criação colectivos desenvolvidos no Círculo de Artes Plásticas de Coimbra. Embora o Círculo de Artes Plásticas procurasse colmatar a ausência de uma escola de Belas Artes em Coimbra, o seu programa de actividades pedagógicas foi sempre, paradoxalmente, mais livre. Dirigido a uma comunidade de alunos não especializada e sem avaliação lectiva académica, explorou métodos e processos pedagógicos alternativos. Os processos hierarquizados e unidirecionais de avaliação da aprendizagem foram substituídos por modelos colaborativos e formatos experimentais. Essa aprendizagem-vivência marca o período de uma série de acções que mais tarde adquirem o estatuto de “intervenção”, “performance” e “happening” e que nesta altura estavam imbuídas de um espírito de festa e participação colectiva. São essas acções precursoras das performances que identificamos como históricas. 

 

Albuquerque Mendes, Ritual, A Anunciação do Lugar, Guarda. 8 Junho 2019. Fotografia © Camilo Fernandez

 

As performances de Albuquerque Mendes evidenciam a integração simbólica das práticas sociais e celebram a criação colectiva ou o sentido de comunidade que as acções ritualistas proporcionam. No centro das suas performances está a memória dos rituais pagãos e religiosos ainda celebrados em algumas aldeias e cidades portuguesas, como Trancoso, no distrito da Guarda, onde nasceu, mas também o sentido da liberdade social, da festa e da revolução, característicos do espírito de mudança que esteve no centro das transformações artísticas dos anos setenta. Albuquerque Mendes transporta consigo a memória de comportamentos associados à celebração de rituais religiosos, das manifestações próprias da revolução de abril de 1974, da coreografia de uma dança, de um ritual de sedução, do cerimonial de uma confissão, da passagem de um legado ou do simbolismo libertário associado à gestualidade do artista... múltiplas acções que nos transportam para o conturbado domínio simbólico da negociação entre os afetos e as normas socioculturais. Transfere essas memórias para o corpo, transformando-as em rituais que vivem da gestualidade e da encenação do campo visual, adquirindo o nonsense próprio da sua descontextualização e que se estende a toda a sua arte. Essas performances-rituais são formas de celebração, rituais de comunhão, liturgias da arte.  

A dança surge cada vez mais frequentemente nas performances de Albuquerque Mendes, seja como retrato social, ambiente lúdico, como dispositivo cénico, representação do comportamento masculino subversivo, referência cultural, glamour pop, fantasia erótica, referência literária e cinéfila ou composição de uma imagem em movimento. A dança, comportamento de celebração colectiva que convoca o movimento do corpo, é incorporada como um ready made, transportando consigo uma complexidade de universos e misturando referências locais e globais de que toda a sua obra é performativamente composta.  

Também a pintura se cruza com a performance de muitas e variadas formas, nomeadamente nas exposições que organizou com Gerardo Burmester, onde, para além das acções ao vivo, a pintura chegou a transformar-se em ambiente. A pintura torna-se espaço performativo para uma variedade de temas, que vão desde o ambiente dos Cabaret Voltaire até à leitura do futuro nas cartas, e inversamente a performance viaja desde a encenação do trabalho do artista no seu atelier até à intervenção sobre uma cópia do famoso auto-retrato de Aurélia de Sousa. Mais do que tentar perceber a performance apenas como mais uma forma de expressão artística, urge interrogar os vectores através dos quais acções performativas como as de Albuquerque Mendes influenciam a criação de muitas obras de arte, como inflectem o nosso relacionamento com elas, ou o modo como entendemos o permanente dever de reflectir sobre a arte, mesmo sobre obras efémeras e irrepetíveis. 
 

 

Paula Pinto
Doutorada em Estudos Visuais e Culturais pela Universidade de Rochester (N.Y., U.S.A.) e curadora independente. É fundadora e editora do projecto www.albumfotografico.net.

 

 

:::

 

ALBUQUERQUE MENDES: CORPO DE PERFORMANCE
Museu da Vila Velha, Câmara Municipal de Vila Real
4 julho - 10 outubro 2021

 

Performance de Albuquerque Mendes: 3 de Outubro, às 17h




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