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MUSEU NACIONAL DE ARTE DA UCRÂNIA DANIFICADO EM ATAQUE RUSSO MASSIVO

2026-05-26




Nas primeiras horas de domingo, 24 de maio, a Rússia lançou um grande ataque contra a capital ucraniana, Kiev, e a região circundante, no meio da guerra de quatro anos contra o país vizinho. O ataque matou quatro pessoas e feriu cerca de 100, segundo a BBC. Danificou também uma série de infraestruturas civis, desde supermercados e instalações de serviços de emergência a universidades, sítios culturais e museus, incluindo o Museu Nacional de Arte da Ucrânia (NAMU) e o Museu Nacional Ucraniano de Chernobyl, ambos recentemente renovados.

A Força Aérea Ucraniana informou que a Rússia lançou 90 mísseis e 600 drones contra a região de Kiev durante o fim de semana, segundo a BBC. Os combatentes ucranianos afirmaram ter intercetado 549 drones e 55 mísseis. Outros 19 mísseis não atingiram os seus alvos. Este ataque marcou apenas a terceira vez na guerra da Rússia contra a Ucrânia em que o primeiro país lançou um míssil hipersónico letal Oreshnik contra o segundo — uma ameaça política simbólica, segundo o New York Times. A Rússia alegou que se tratou de uma retaliação por um ataque civil não especificado levado a cabo pela Ucrânia. Vários órgãos de comunicação social apontaram o ataque da Ucrânia à cidade de Starobilsk na passada sexta-feira como a causa.

Desde o início da guerra, os museus ucranianos têm-se esforçado por proteger as suas colecções do impacto do conflito, enviando algumas relíquias culturais para o estrangeiro, escondendo outras em locais seguros e reforçando as suas medidas de segurança internas. Ainda assim, dezenas de instituições atingidas pela invasão sofreram repetidamente saques. Isso não as impediu de realizar exposições.

Os museus ucranianos nas regiões controladas pelo governo também continuam vulneráveis. Este último ataque russo afetou várias destas instituições, segundo o Ukrainska Pravda.

O Mercado Zhytnii, com 46 anos de história — recentemente declarado património cultural pelas autoridades de Kiev — ficou com as janelas partidas. O mesmo aconteceu com a Galeria Hinaus, nas proximidades (embora os mosaicos do filósofo ucraniano do século XVIII, Hryhorii Skovoroda, que tinham sido inaugurados dois dias antes, permaneçam intactos). O salão de exposições da Casa Ucraniana será reaberto na terça-feira desta semana, depois de as suas janelas e entrada terem também sofrido danos. O Instituto de Literatura Taras Shevchenko, com 100 anos de história, também sofreu danos estruturais, assim como a Pequena Ópera de Kiev e o Teatro Municipal Académico de Ópera e Ballet de Kiev, que cancelaram uma apresentação planeada de “Polegarzinha”.

Entretanto, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, declarou que o ataque deste fim-de-semana "destruiu praticamente" o recém-renovado Museu Nacional de Chernobyl, que homenageia o desastre nuclear ocorrido a cerca de 145 quilómetros a norte de Kiev, há 40 anos. O edifício histórico do museu e o acervo de aproximadamente 1.350 peças sofreram danos significativos. No entanto, as equipas de resgate agiram rapidamente, salvando cerca de 40% do acervo, incluindo uma pintura da conceituada artista popular Maria Prymachenko e a bandeira ucraniana hasteada pelas tropas em Chernobyl após o fim da breve invasão russa em 2022.

“Antes, a Rússia encobriu a verdade sobre Chernobyl; hoje, ataca os locais que a preservam”, disse o ministro do Interior da Ucrânia, Ihor Klymenko, referindo-se a este ataque em particular.

No Museu Nacional de Arte e Cultura da Ucrânia (NAMU), uma coleção de mais de 40 mil obras de arte ucranianas de diferentes épocas permanece intacta — embora a instituição tenha tido de desmontar a sua exposição recém-inaugurada sobre artistas ucranianos que desafiaram a guerra russa. O mesmo não se pode dizer da sede do museu, com 130 anos (é o museu de arte mais antigo de Kiev), que os especialistas tinham reforçado contra os danos da guerra em 2023. As instalações do NAMU sofreram danos críticos nas suas janelas, claraboias e paredes de gesso. A instituição anunciou no Instagram, este fim de semana, que fechou “por tempo indeterminado” enquanto as autoridades inspecionam os impactos. Nenhum funcionário, no entanto, ficou ferido.

“Estão a tentar destruir a nossa memória”, disse Tetyana Berezhna, vice-primeira-ministra para as Políticas Humanitárias e ministra da Cultura da Ucrânia, após o ataque do passado fim de semana. “Mas a cultura ucraniana já perdurou antes e vai perdurar agora.”


Fonte: ArtNetNews