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QUASE METADE DAS MULHERES EM MEIO DE CARREIRA PENSA EM DEIXAR O MUNDO DA ARTE2026-06-09O setor artístico pode enfrentar uma grande fuga de talentos se não abordar as questões estruturais que afetam as mulheres — e temos os dados para o comprovar. Hardwiring Change: Buying Back Time marca a segunda colaboração anual entre a Artnet e a Associação de Mulheres nas Artes (AWITA), dando continuidade a um esforço conjunto para trazer dados claros e análises precisas sobre as realidades que moldam as carreiras das mulheres no mundo da arte. Embora a investigação inaugural tenha revelado disparidades nos cargos de liderança e nos salários para as mulheres, esta edição oferece um panorama mais detalhado das pressões estruturais que determinam quem consegue — e, crucialmente, quem não consegue — construir uma carreira sustentável a longo prazo nas artes. Igualmente importante, as respostas de mais de 2.000 participantes no inquérito apontam consistentemente para soluções tangíveis: salários justos, mais transparência na tomada de decisões, mentoria e melhores ferramentas para reduzir a crescente burocracia. O que mais me impressionou foi a quantidade de mulheres da Geração Z e de millennials que estão a considerar deixar o setor nos próximos cinco anos: quase metade. Este número sugere que muitas das profissionais que deveriam estar a assumir cargos de liderança e a contratar a próxima geração de artistas estão, em vez disso, a questionar se se podem dar ao luxo de permanecer na área. Conheço bem esse sentimento, pois vivi-o. Há alguns anos, deixei o setor artístico depois de me deparar com um obstáculo que suspeito ser familiar para muitas: o meu salário era incompatível não só com o aumento da minha carga de trabalho, mas também com a remuneração de alguns colegas do sexo masculino. Não existiam critérios claros para a promoção e a disfunção organizacional estava a ser absorvida silenciosamente — e desproporcionalmente — pelas mulheres mais desfavorecidas por ela. O que emerge do nosso inquérito deste ano é um retrato de um sector que exige que os profissionais altamente qualificados — especialmente as mulheres em meio de carreira — tolerem a instabilidade financeira, a sobrecarga administrativa e as desigualdades estruturais. Mais de metade das entrevistadas identificou a remuneração justa e a segurança no emprego como os fatores mais importantes para a manutenção de uma carreira. Outras apontaram para a importância da mentoria e de estruturas de promoção e crescimento mais claras. Em praticamente todas as secções do inquérito, as mesmas exigências surgiram repetidamente. Ao mesmo tempo, este relatório retrata uma força de trabalho que já está a passar por uma grande transição. As mulheres de todo o setor artístico estão a experimentar ferramentas de IA porque procuram formas de recuperar tempo do trabalho administrativo e de cargas de trabalho insustentáveis. No entanto, as empresas artísticas, na sua maioria, não conseguiram acompanhar o ritmo da tecnologia e da inovação, deixando as trabalhadoras à sua sorte para lidar com estas mudanças. Embora existam preocupações reais e concretas sobre a forma como a IA deve ser utilizada, é evidente que, se for adoptada de forma significativa e intencional — para apoiar as trabalhadoras em vez de as substituir — poderá ser transformadora para as mulheres que suportam o peso do trabalho administrativo e de outras formas de trabalho desvalorizado. Finalmente voltei às artes por dois motivos. O primeiro é porque o número de pessoas talentosas neste setor é incomparável e inspirador — com quem trabalha faz a diferença. Em segundo lugar, a forma como trabalha importa tanto quanto. Acredito firmemente que a mudança é possível e quero fazer parte dela. As participantes desta investigação também parecem acreditar nisso, apontando consistentemente para soluções práticas e viáveis para tornar o trabalho mais equitativo. Este relatório, que pretendemos atualizar anualmente, oferece um roteiro em constante expansão que nos pode ajudar a traçar um novo rumo para as mulheres nas artes. Principais Conclusões – As artes podem estar a enfrentar uma crise de talentos. Quase metade das mulheres dos 25 aos 44 anos inquiridas considera abandonar as artes nos próximos cinco anos, com a taxa mais elevada (50,6%) entre as mulheres dos 35 aos 44 anos — precisamente a faixa etária que deverá assumir cargos de chefia. – As barreiras estruturais atingem o seu pico a meio da carreira. Cerca de 76% das mulheres dos 35 aos 54 anos referem enfrentar barreiras estruturais ligadas ao género, raça ou classe social. – A sobrecarga administrativa é um dos principais fatores que levam ao esgotamento profissional. Quase metade (48%) dos trabalhadores a tempo inteiro referem gastar pelo menos metade do seu tempo de trabalho em tarefas administrativas. – A adoção da IA está em alta, mas as empresas culturais estão a ter dificuldades em acompanhar o ritmo. As mulheres estão a recorrer cada vez mais a ferramentas de IA para compensar a sobrecarga e recuperar tempo. Quase dois terços dos inquiridos referem utilizar ferramentas de IA no seu trabalho diário, mas 67,3% afirmam não ter recebido instruções sobre como utilizá-las. – As mulheres têm um conjunto claro e consistente de exigências. Cerca de 55% afirmou que salários justos e segurança no emprego seriam os fatores que mais contribuiriam para que pudessem manter uma carreira nas artes. Fonte: ArtnetNews |














