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JONATHAN ANDERSON INSPIRA-SE NA ESCULTORA LYNDA BENGLIS PARA A MAIS RECENTE COLEÇÃO DIOR

2026-07-08




O estilista Jonathan Anderson voltou a inspirar-se na obra da escultora Lynda Benglis para o seu mais recente desfile de moda.

Diretor criativo da Dior desde 2025, Anderson apresentou a coleção de Alta Costura Outono/Inverno 2026-27 da maison no Museu Rodin, em Paris, na segunda-feira, assinalando a sua segunda coleção de alta costura para a Dior.

“A coleção responde, na linguagem da alta-costura, à obra da escultora norte-americana Lynda Benglis”, lê-se na descrição publicada no site da Dior. “Muitas das obras da artista começam com materiais bidimensionais que são transformados, através de nós, pregas ou moldagem, em três dimensões. A arte da alta-costura realiza uma transformação semelhante: o tecido ganha uma forma escultural, acentuada quando vestido.”

O trabalho de pregas inspirado em Benglis é visível em várias peças da coleção, como um xaile cinzento, um top bronze e dourado e um vestido prateado, todos utilizando a técnica de atar para criar um laço assimétrico. Várias modelos usaram também adereços de cabeça que fazem lembrar algumas das esculturas de Benglis. Segundo a WWD, Benglis colaborou ainda em algumas das malas apresentadas no desfile.

Outra fonte de inspiração é a "longa relação de Benglis com Ahmedabad, no Gujarat, na Índia", citada pela Dior. Esta cidade e os pássaros que lá viu inspiraram a série "Pavão" da artista, dos anos 70, que apresenta "enfeites florais e de missangas em cores vibrantes". Os looks 24 e 30 da coleção, nos quais surge um grande leque decorado com tais ornamentos, são quase uma tradução literal de “Zanzidae, da série Pavão”(1979), de Benglis.

Anderson inspirou-se em Benglis pela última vez há três anos, para o desfile Primavera/Verão 2024 da Loewe. Além de a convidar para criar joias para a coleção, Anderson também expôs várias das suas esculturas como parte do desfile.

Para além do seu notório anúncio para uma exposição numa edição de 1974 da revista Artforum, no qual aparece nua empunhando um vibrador, Benglis é conhecida pela sua abordagem pioneira à escultura no final dos anos 1960 e 1970. O seu trabalho mais famoso consistia em derramar látex pigmentado diretamente no chão e, posteriormente, nas paredes e cantos, para criar esculturas marcadas pelo seu peso e forma. Nos anos 1970, Benglis começou a criar esculturas de parede com nós tensos que ela então pintava. Uma vez descreveu-as como "decadentemente excessivas" para a sua galerista da época, Paula Cooper.

A mais recente exposição de Benglis reuniu o seu trabalho com o de Alberto Giacometti, e esteve patente de janeiro a maio no Barbican Centre, em Londres.

“Ela é uma génia, e acho que há algo na forma como encara a forma que a torna quase muscular”, disse Anderson à WWD sobre Benglis. “Ela estava muito à frente do seu tempo, e só nos últimos 10 anos é que as pessoas começaram a perceber o que ela tinha feito.”


Fonte: ARTnews