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A PROPRIEDADE DE UM VAN GOGH NA COLEÇÃO DE ORSAY ESTÁ EM DISPUTA2026-07-01Klaus Kallmann, de 98 anos, neto de Felix Kallmann, advogado e colecionador de arte, trava há nove anos uma batalha judicial que envolve o Museu d'Orsay, em Paris. Kallmann procura a propriedade de "Hôpital Saint-Paul à Saint-Rémy-de-Provence", de 1889, uma pintura de Vincent van Gogh que faz atualmente parte do acervo principal da instituição. Kallmann afirma ter memórias de infância da pintura pendurada na casa do avô; alega ainda que a obra foi posteriormente saqueada à sua família pelos nazis e que "Hôpital Saint-Paul" lhe pertence por direito, segundo uma notícia do Le Monde. Em maio deste ano, a Comissão de Compensação das Vítimas de Espoliação (CIVS), responsável por determinar se as obras de arte foram saqueadas pelos nazis, não chegou a uma conclusão definitiva. A dificuldade em rastrear os movimentos da pintura decorre de uma lacuna no seu historial documentado. Felix Kallmann, que durante a sua vida geriu duas empresas — a fabricante de lâmpadas Deutsche Gasglühlicht e a produtora cinematográfica Universum Film AG, de Babelsberg — vivia numa casa no bairro de Westend, em Berlim. De acordo com o processo referente ao litígio, Kallmann enviou duas cartas em junho de 1932 que documentam as suas tentativas de vender o quadro "Hôpital Saint-Paul" à Staatsgalerie, em Berlim. No entanto, a Staatsgalerie recusou a oferta de Kallmann alegando que já tinha "adquirido vários Van Gogh", segundo o jornal Le Monde. Não há registo da pintura até fevereiro de 1934, quando "Hôpital Saint-Paul" apareceu numa galeria de arte parisiense pertencente ao marchand Paul Rosenberg. Rosenberg era uma figura proeminente cujos clientes de alto nível o tornaram alvo do Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg, uma operação nazi de saque de obras de arte. Embora a família Kallmann tenha “certamente sido vítima de perseguição antissemita e sofrido espoliação nesse contexto”, disse David Zivie, diretor do CIVS, ao Le Monde, era “difícil estabelecer com certeza se a pintura de Van Gogh estava entre os bens saqueados vendidos sob coação”. O que não é claro neste caso é como é que a pintura chegou a Rosenberg: Kallmann conseguiu vendê-la entre 1932 e 1934? “Uma venda feita por um judeu alemão no início de 1933 deve ser necessariamente considerada forçada? Esta é a primeira vez que nos deparamos com este tipo de situação em França”, continuou Zivie ao Le Monde. Por sua vez, Klaus Kallmann afirma ainda que o seu pai, Hartmut Kallmann, sempre disse que a coleção de arte da família estava intacta quando os nazis chegaram ao poder e que foi posteriormente saqueada. Em Setembro, o caso da família Kallmann será analisado por um painel que inclui agora representantes dos Ministérios da Cultura e dos Negócios Estrangeiros. “Para Klaus Kallmann, cada semana equivale a um ano”, disse Mel Urbach, advogado da família Kallmann, ao jornal Le Monde. “Tem sido infinitamente paciente. Agora, acreditamos que é altura de a pintura regressar à família.” Fonte: Artforum |














