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O FOTÓGRAFO QUE ACOMPANHOU DAVID BOWIE PELO MUNDO

2026-09-02




O fotógrafo que acompanhou David Bowie pelo mundo. Em 1983, Denis O’Regan conseguiu o tipo de trabalho com que todos os fotógrafos sonham: seguir David Bowie numa digressão mundial. Nos anos seguintes, O’Regan captou o músico iconoclasta dentro e fora dos palcos, acumulando um impressionante arquivo de mais de 10.000 imagens. Agora, uma seleção destas fotografias — algumas instantaneamente reconhecíveis, outras nunca antes vistas — está a ressurgir numa instalação imersiva em Veneza.

“Bowie: Unseen | Unheard” estará em exibição na secção Venice Immersive do 83º Festival Internacional de Cinema de Veneza (de 2 a 12 de setembro), após a sua estreia no SXSW Londres. A exposição reúne 800 imagens de O’Regan, combinando-as com paisagens sonoras espaciais reproduzidas por 60 colunas L-Acoustics L-ISA. Os espectadores vão ouvir o design de som de Nick Ryan, com excertos da música de Bowie, composições do seu pianista de longa data, Mike Garson, e comentários do próprio fotógrafo britânico.

Longe de ser uma viagem nostálgica, a experiência pretende imergir o visitante no momento em que cada fotografia foi tirada, disse O'Regan. Será atmosférica, uma nova forma de experienciar as imagens. "As imagens ganham uma nova vida", disse. "Muitas delas têm valor histórico e cultural, o que não tinham antigamente."

O fotógrafo autodidata O'Regan começou a sua carreira a documentar a crescente cena punk de Londres no final da década de 1970, antes de Bowie o recrutar como fotógrafo oficial da sua digressão Serious Moonlight. A sua missão era simples: capturar “everything”. "Podia fazer o que quisesse, onde quisesse", recordou. "O David exigia que eu tirasse mais fotografias." Aliás, uma pergunta frequente na digressão, segundo O'Regan, era Bowie perguntar: "Onde está o Denis?"

Nas fotografias de O’Regan, Bowie surge menos como uma estrela glamorosa e mais como um sujeito documental. Vemos imagens dramáticas dele a dominar palcos na Europa, nos Estados Unidos e na Ásia, mas, ainda mais, momentos de descontração. Há Bowie reclinado num barco em Banguecoque, posando junto ao Muro de Berlim e num centro comercial em Singapura; parece à vontade, a máscara momentaneamente baixa. É um comportamento que demonstra o seu conforto com a câmara — e com o homem que está por trás dela. O’Regan fotografou as digressões de Bowie em 1987 e 1990, totalizando cerca de 200 concertos. Embora tenha fotografado grandes nomes como Queen, Duran Duran, Rolling Stones e Pink Floyd, disse: “O maior tempo que passei com alguém foi com o David”.

O seu arquivo resultante é tão imenso que, ao revisitá-lo para a exposição, O’Regan disse: “Encontrei imagens que me tinha esquecido que tinha tirado, ou que nem sabia que tinha”. E isto aconteceu depois de ele e Bowie terem reduzido o número de imagens durante a digressão, escolhendo as melhores fotos e descartando as restantes. "Ele ficou feliz com as minhas escolhas", disse O'Regan. "O que ele não gostou foi de eu deitar o resto para o caixote do lixo sem cadeado do meu quarto de hotel!". As muitas imagens de Bowie feitas por O'Regan foram posteriormente reunidas em livros, incluindo Ricochet: David Bowie 1983, de 2018 (cuja edição em caixa está na coleção do V&A) e David Bowie by Denis O'Regan, do ano passado.

"Unseen | Unheard" será inaugurada na véspera do que seria o 80º aniversário de Bowie. Mas para O'Regan, o projeto é pessoal. Quando era jovem, assistiu ao último concerto de Bowie como Ziggy Stardust no Hammersmith Odeon, em Londres, em 1973, e foi completamente transformado pela experiência. “Saí do cinema e soube o que queria fazer para o resto da vida”, disse. Abandonou o emprego de analista de seguros e tornou-se fotógrafo profissional. Passaria apenas uma década até que O’Regan se visse a fotografar o homem que mudara o rumo da sua vida. Nesta altura, a relação entre fotógrafo e fotografado tinha adquirido uma intimidade quase surreal.

“Estávamos em Banguecoque, num barco no rio”, contou O’Regan. “Tínhamos comido e o David estava deitado na proa do barco, a apanhar sol e a dormitar um pouco. Eu simplesmente fiquei de pé sobre ele, coloquei um pé de cada lado e tirei uma fotografia de cima para baixo, acompanhando a corrente do rio. Pensei: ‘Meu Deus, isto é tão estranho.’ Vi este tipo há 10 anos e ele mudou tudo. E aqui estou eu, com os pés debaixo das axilas dele, a tirar fotografias na Tailândia.”


Fonte: ArtnetNews