Links

NOTÍCIAS


ARQUIVO:

 


ESPAÇO DA COLEÇÃO DE ARTE CONTEMPORÂNEA DO ESTADO INAUGURA A 1 DE JULHO

2026-06-22




O espaço da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (CACE), em Alcabideche, Cascais, vai ser inaugurado em 1 de julho, reunindo, pela primeira vez, num único edifício, grande parte do acervo e revelando bastidores da sua gestão, conservação e circulação.

Ao fim de 50 anos, o CACE Centro representa "um marco histórico" para uma coleção criada pelo Estado em 1976 que, apesar da sua relevância para a arte contemporânea portuguesa, passou por longos períodos de dispersão e menor visibilidade institucional, disse à agência Lusa a diretora e curadora Sandra Vieira Jürgens.

"É um espaço de reservas visitáveis que tem pela primeira vez reunido quase todo o acervo da coleção num edifício aberto ao público, para mostrar o quotidiano da conservação das reservas, inventariação, catalogação e estudo das obras", disse a responsável em entrevista e visita guiada ao Centro.

Instalado num edifício antes pertencente à Fundação Ellipse, ligada ao Banco Privado Português (BPP), e adquirido pelo Estado no âmbito de um processo de insolvência da instituição financeira, o espaço recebeu obras de adaptação avaliadas em cerca de um milhão de euros e passa a concentrar um conjunto significativo das mais de 3.200 obras que atualmente compõem a CACE.

Segundo Sandra Vieira Jürgens, o novo centro foi concebido para ser mais do que um espaço de armazenamentoh "É um espaço de partilha, um centro vivo e laboratorial que queremos partilhar com o público", sublinhou à Lusa.

O CACE Centro dispõe de uma sala central de grandes dimensões, destinada a atividades educativas, conferências e programação cultural, duas salas de exposições temporárias e uma 'black box' dedicada à apresentação de obras multimédia.

A responsável explicou que os visitantes poderão acompanhar atividades habitualmente reservadas aos bastidores da gestão museológica, num modelo de funcionamento híbrido que conjugará áreas técnicas especializadas com atividades de mediação cultural e programas educativos.

"O público poderá ter acesso àquilo que são as atividades diárias da gestão de uma coleção, conservação, embalamento, transporte, preparação e produção de exposições, cedências e depósitos, e ainda descobrir as obras nas reservas visitáveis", precisou a curadora, que gere uma equipa de seis profissionais das áreas da curadoria, conservação e produção.

As visitas serão realizadas mediante marcação prévia por correio eletrónico ou telefone - contactos disponíveis no 'site' www.colecaodoestado.pt - dirigindo-se tanto ao público em geral como a estudantes, investigadores e profissionais do setor.

"Há uma parte técnica muito importante, mas queremos desenvolver o serviço educativo. Queremos receber o público mais vasto que queira conhecer a atividade diária de uma coleção", reiterou Sandra Vieira Jürgens.

No dia da inauguração do CACE Centro, em 01 de julho, o público poderá conhecer uma exposição dupla intitulada "Dual Sim", dedicada precisamente às aquisições realizadas entre 2019 e 2025, organizada pelas curadoras Filipa Rocha Nunes e Sofia Montanha.

A mostra reúne 23 obras em vários suportes, da pintura à escultura e vídeo, de artistas como Ana Cardoso, Belén Uriel, Diogo Evangelista, Eugénia Mussa, Gabriel Abrantes, Inês Zenha, Joana Escoval, Leonor Antunes, Mané Pacheco, Nikolai Nekh, Paulo Mendes, Sara Graça, Susanne S. D. Themlitz e Von Calhau.

O programa inaugural inclui ainda uma parceria com a Companhia Nacional de Bailado, desenvolvida em torno de uma obra da coleção, bem como a apresentação de alguns trabalhos do acervo na sala principal.

O CACE Centro funcionará de segunda a sexta-feira, das 09h30 às 12h30, e das 14h00 às 17h00, mediante marcação prévia, e encerra aos fins de semana, feriados nacionais, feriado municipal de Lisboa, e a 24 e 31 de dezembro.