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NAÇÕES ACUSADAS DE CRIMES CONTRA A HUMANIDADE NÃO SERÃO CONSIDERADAS PARA OS PRÉMIOS DA BIENAL DE VENEZA

2026-04-24




O júri da Bienal de Veneza de 2026 anunciou na quinta-feira que não irá considerar as contribuições de qualquer país cujos líderes estejam atualmente acusados ​​de crimes contra a humanidade para os prémios Leão de Ouro e Leão de Prata. Isto, como refere a Artnews, exclui Israel e a Rússia da disputa; no entanto, o simples facto de estas nações serem autorizadas a participar na Bienal evidencia os critérios contraditórios que a grande feira internacional de arte parece adoptar.

“Como membros do júri, nós… temos uma responsabilidade para com o papel histórico da Bienal como uma plataforma que liga a arte às urgências do seu tempo”, lê-se num excerto da declaração do júri divulgada na quinta-feira. “Reconhecemos a complexa relação entre a prática artística e a representação do Estado-nação, que constitui uma estrutura central para a Bienal de Veneza, em particular a forma como esta relação liga o trabalho dos artistas às ações do Estado que representam. Nesta edição da Bienal, desejamos deixar clara a nossa intenção: expressar o nosso compromisso com a defesa dos direitos humanos e com o espírito do projeto curatorial de Koyo Kouoh. Consequentemente, este júri abster-se-á de considerar obras de países cujos líderes estejam atualmente a ser acusados ​​de crimes contra a humanidade pelo Tribunal Penal Internacional.

Neste sentido, solidarizamo-nos com a declaração curatorial de Koyo Kouoh: “ao recusarmos o espetáculo do horror, chegou a hora de ouvirmos os tons menores, de sintonizarmos em voz baixa os sussurros, as frequências mais baixas; de encontrarmos os oásis, as ilhas, onde a dignidade de todos os seres vivos é salvaguardada.”

A Bienal deste ano foi marcada pela controvérsia em relação aos pavilhões aderentes. Artistas americanos de renome recusaram a oportunidade de representar os Estados Unidos. No início desta semana, a União Europeia anunciou a retirada de uma verba de 2,3 milhões de dólares destinada à Bienal de Veneza de 2028, devido à participação da Rússia este ano.

Em abril, um grupo de 74 artistas assinou uma carta aberta enviada ao diretor da Bienal, Pietrangelo Buttafuoco, implorando-lhe que excluísse os países atualmente acusados ​​de crimes de guerra: Israel, Rússia e Estados Unidos.


Fonte: Artforum