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RELATOS DE ARTISTAS MORTOS PELO REGIME DO IRÃO GERAM INDIGNAÇÃO E LUTO2026-01-16O escultor Mehdi Salahshour e o cineasta Javad Ganji estão entre os membros da comunidade criativa do Irão que terão sido mortos durante protestos antigovernamentais. À medida que surgem relatos da repressão mortal do Irão contra a dissidência este mês, as notícias de que as forças governamentais dispararam e mataram artistas, incluindo o escultor Mehdi Salahshour e o cineasta Javad Ganji, aumentaram a crescente indignação internacional. No meio de um bloqueio à Internet imposto pelo Estado iraniano, repórteres e grupos de defesa dos direitos humanos estão a esforçar-se para contabilizar o número de manifestantes mortos e presos pelo regime iraniano desde o início dos protestos da oposição, em dezembro. De acordo com relatos de testemunhas oculares, as forças governamentais dispararam indiscriminadamente contra os manifestantes, matando mais de 2.400 pessoas, segundo uma estimativa da Human Rights Activists News Agency, sediada nos Estados Unidos. O grupo informou ainda que as forças prenderam 18.137 pessoas como parte da repressão. Salahshour, um escultor e pai de 50 anos, e Ganji, um realizador de televisão e cinema de 39 anos, estavam entre os massacrados, de acordo com a Organização Hengaw para os Direitos Humanos, curda iraniana com sede na Noruega. O assassinato de Ganji foi também confirmado pela Associação Iraniana de Cineastas Independentes (IIFMA), como relata o Deadline. As manifestações em todas as 31 províncias do Irão começaram no final do ano passado, à medida que a oposição à inflação crescente ganhou força, transformando-se em protestos mais amplos contra o regime teocrático liderado pelo Líder Supremo Ayatollah Ali Khamenei, que governa a República Islâmica do Irão desde 1989. A Organização Hengaw afirmou que Salahshour foi morto na cidade de Mashhad a 8 de janeiro "por fogo direto de uma arma de calibre militar", que a organização descreveu como um "fuzil Kalashnikov", a família de armas de assalto que inclui o AK-47. "Mehdi Salahshour era um escultor proeminente, professor de escultura, fundador de uma oficina especializada em escultura em pedra e vencedor de prémios artísticos internacionais", referiu a Organização Hengaw num artigo no seu site. De acordo com a Sky News, Salahshour dava workshops na Universidade de Teerão e estava associado ao Instituto de Desenvolvimento das Artes Visuais. A organização de defesa Artists at Risk Connection (ARC) condenou os homicídios relatados num comunicado na segunda-feira, 13 de janeiro. "Com a supressão de informação, é difícil avaliar a extensão da repressão, mas com os relatos destes ataques a artistas, torna-se claro que qualquer pessoa pode ser alvo da polícia e da milícia", disse Julie Trébault, diretora executiva da ARC. "A ARC lamenta o assassinato destes artistas iranianos e apela às autoridades para que cessem os ataques e a detenção de manifestantes, e à comunidade internacional para que tome medidas urgentes para impedir a escalada das violações dos direitos humanos e das normas humanitárias", continuou Trébault. Ganji terá sido morto a 9 de janeiro em Teerão, segundo a Organização Hengaw, que afirmou que o cineasta foi baleado no bairro de Sadeghiyeh, em Teerão. Tinha dirigido vários projetos cinematográficos. O poder judicial iraniano terá prometido acelerar os julgamentos e as execuções de manifestantes, incluindo pela acusação de "fazer guerra contra Deus". O cineasta dissidente Jafar Panahi publicou uma carta assinada por 184 cineastas iranianos na sua conta de Instagram na semana passada, condenando a violência estatal. “Nós, cineastas, retrataremos estes dias e estas feridas, e defenderemos o direito à liberdade de expressão com todas as nossas forças, condenaremos a repressão e o assassinato do povo que protesta e solidarizar-nos-emos com o povo do Irão”, lê-se na carta. Fonte: HyperAllergic |













