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2 EXPOSIÇÕES EM LISBOA PARA CELEBRAR O CENTENÁRIO DE MÁRIO CESARINY

2023-08-07




A 9 de agosto, dia em que se assinala o centenário de nascimento de Mário Cesariny de Vasconcelos (1923-2006), a Casa da Liberdade e a Perve Galeria inauguram, pelas 18h, duas exposições que celebram a extraordinária vida e o profundo legado daquele que é uma das personalidades maiores das artes e da poesia em Portugal, através da apresentação de um amplo espólio documental inédito, que certamente permitirá múltiplas e diversas revelações, e de que o público poderá levar consigo cópias numeradas.

Pela caligrafia e voz própria do autor, “Primeira Pessoa”, na Casa da Liberdade - Mário Cesariny, apresenta um notável conjunto de documentos inéditos provenientes dos vários espólios que a instituição alberga, permitindo aceder de forma única à dimensão humana, espiritual e criativa do poeta e pintor, que via no fazer artístico a essência fundamental da existência do homem livre. Entre correspondência, fotografias, poemas e obras visuais, destaca-se, a título de exemplo, a correspondência com a escultora e poeta surrealista Isabel Meyrelles, ou aquela trocada com Yoko Ono, onde a artista lhe encomenda uma obra para homenagear John Lennon no Central Park, em Nova Iorque, obra essa também patente na exposição.

Na Perve Galeria destacam-se as relações profícuas estabelecidas entre Cesariny “… e os seus contemporâneos”, mediante a apresentação de correspondência, fotografias e obras visuais que sublinham, entre outros aspetos, as suas colaborações com surrealistas portugueses e internacionais, e a sua relação crítica, assertiva, com alguma da tradição nacional. Revelando o impacto do autor, e do Surrealismo Português, não só em Portugal como no contexto mais vasto do mundo, também no da Lusofonia, a mostra é pontuada pela obra de artistas africanos que denota afinidades com a de Cesariny, como a de Ernesto Shikhani, Inácio Matsinhe, Malangatana Ngwenya, Manuel Figueira ou Reinata Sadimba.

Pelas duas mostras, através da apresentação de centenas de materiais inéditos numa instalação concebida pelo curador Carlos Cabral Nunes, acede-se ao permanente esforço de resistência de Mário Cesariny face aos diferentes movimentos que procuraram silenciar a necessidade de expressão libertadora. Afirma-se assim a sua proposta permanente de revolução poética, plástica e social, cujos ecos ainda hoje se encontram em muitas das manifestações artísticas e sociais contemporâneas, que provam a perenidade do seu legado.

“Primeira Pessoa” e “... e os seus contemporâneos” estarão patentes até 26 de novembro, dia em que se assinalam 17 anos volvidos sobre a morte de Mário Cesariny.

Para além destas exposições, o público poderá ainda ver obras do autor na mostra “Cruzar Fronteiras: diálogo de coleções”, patente até dia 25 de agosto no Ispa - Instituto Universitário, que permite aceder a um século de produção artística dos países de língua portuguesa.


Mais informações: www.pervegaleria.eu



FONTE: Perve Galeria