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Foto: Pedro Tropa / Cortesia MAAT
O MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia apresenta a partir de 25 de Março a exposição "Terra Poética", uma mostra de desenho e escultura da artista brasileira Anna Maria Maiolino.
A exposição, no MAAT Gallery, apresenta uma seleção de mais de 100 desenhos e 2 fotografias, dos anos de 1970 a 1980, que se distribuem pela rampa e se intitula "Tempestade de Ideias". São esboços em folhas soltas, exercícios e anotações gráficas de ideias que estabelecem uma relação com o trabalho de escultura da artistas. Na Galeria Oval, encontra-se o núcleo central da exposição, um conjunto de obras escultóricas de várias escalas e feitas com argila crua, cimento, gesso e metal. As esculturas em argila foram moldadas no local pela artista e sua equipa, a partir de 8 toneladas de barro cru.
A inauguração terá início com a performance “KA”, da série ENTREVIDAS. Esta performance utiliza centenas de ovos de galinha espalhados pelo chão, foi concebida pela artista em 1981 como um manifesto contra a tortura e em favor da abertura democrática no Brasil. Nesta nova versão - apresentada pela primeira vez no MASP (São Paulo, Brasil) em março de 2025 – Anna Maria Maiolino incorpora o gesto das mãos levantadas. A artista pesquisou a origem deste sinal na antiga civilização egípcia, onde o hieróglifo KA (dois braços erguidos) representava a força vital, o espírito e o abraço. Na contemporaneidade, embora o gesto signifique rendição em contextos de guerra, Maiolino ressignifica-o como um pedido poético-político por paz e desarmamento.
Esta é a primeira exposição individual da artista num museu português e após ter-lhe sido atribuído o Leão de Ouro pela carreira na Bienal de Veneza de 2024.
Anna Maria Maiolino, nascida em Itália, em 1942, é uma artista que reside no Barsil desde a década de 1960, após ter vivido e estudado na Venezuela. O seu trabalho integra a reação à abstração e ao concretismo dominantes na arte brasileira dos anos de 1950 ao tomar o corpo subjetivado, representado (desenhado, pintado, fotografado) ou performativo (fotografado, filmado em ação), e à materialidade dos suportes naturais, trabalhados mecânica ou manualmente, como eixo de criação. Essa opção estética e geracional coincide com a necessidade de tomadas de posição claras face ao contexto político da ditadura militar implantada no Brasil a partir de 1964.