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BIENAL DE SÃO PAULO TRANSFORMA EM CLÁUSULA CONTRATUAL O SEU COMPROMISSO COM A ACESSIBILIDADE DO PÚBLICO

2026-02-24




O conselho da Bienal de São Paulo decidiu implementar cláusulas contratuais mais rígidas para futuros diretores artísticos, com o objetivo de evitar “excessos conceptuais” que dificultem a experiência do público, segundo informaram fontes da instituição. A medida surge após as críticas recebidas pela 36ª edição da mostra, concluída em janeiro com 784.000 visitantes —um aumento de 20% em relação à anterior—, mas marcada pela polémica decisão do curador camaronês Bonaventure Soh Bejeng Ndikung de omitir os nomes dos artistas e o contexto das obras na museografia do pavilhão de Oscar Niemeyer.

A última edição gerou desconforto tanto na crítica quanto entre os próprios artistas participantes, que em conversas privadas manifestaram sua insatisfação com a montagem, caracterizada por um excesso de cortinas coloridas que, segundo diversas opiniões, "escondiam mais do que mostrar as obras". Críticos como Fabio Cyprano no meio Artebrasileiros, desdobraram uma crítica sobre esse descuido na mediação da bienal a cargo de Ndikung. Um membro do alto escalão da fundação, em condição de anonimato, explicou para a Folha São Paulo que os novos contratos incorporarão "corrimãos" ou "guarda-corpos jurídicos" para estabelecer limites claros às propostas curatoriais, sem que isso implique necessariamente uma restrição à experimentação.

O uso de recursos públicos através da Lei Rouanet para financiar grande parte do orçamento da Bienal reforça a necessidade de garantir a acessibilidade, segundo argumentam vozes institucionais. A fundação tem um "compromisso claro e nítido com a ideia de formação de públicos e projetos educacionais", particularmente relevante num país como o Brasil, onde a arte contemporânea "não é língua franca" e certas barreiras "só são quebradas com muita boa vontade". No entanto, a organização reconhece que o desafio reside em equilibrar a tradição de radicalidade nas montagens — como a célebre e controversa edição de 1985 organizada por Sheila Leirner — com a necessidade de transparência.

Consultada sobre as modificações contratuais, a Fundação Bienal de São Paulo recusou-se a fazer comentários. A instituição, que recentemente renovou o mandato de sua presidente, Andrea Pinheiro, busca manter "a excelência e o frescor" de suas exposições sem perder de vista "algum grau de transparência e acessibilidade" que torne a amostra mais compreensível para o público, no que constitui uma preocupação central de sua missão institucional.