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SCHIAPARELLI RECRIA JÓIAS ROUBADAS DO LOUVRE2026-01-28Apenas alguns meses após o roubo das jóias da coroa do Louvre num ousado assalto à luz do dia, réplicas das peças desaparecidas ressurgiram — ou foram reinventadas — no desfile de alta-costura da Schiaparelli, em Paris, na segunda-feira. As recriações, desenhadas pelo diretor artístico da Schiaparelli, Daniel Roseberry, foram inspiradas em jóias de pérolas e diamantes que pertenceram à Imperatriz Eugénia e que estavam entre as jóias avaliadas em cerca de 102 milhões de dólares roubadas do Louvre em outubro último. Embora as peças originais continuem desaparecidas, Roseberry deu às peças inestimáveis uma nova vida cultural, apresentando versões dramaticamente ornamentadas durante a Semana de Alta Costura de Paris. As suas recriações foram usadas pela atriz e música norte-americana Teyana Taylor — acabada de sair da sua primeira vitória nos Globos de Ouro de Melhor Atriz Secundária e da sua primeira nomeação para os Óscares por "One Battle After Another" — que compareceu na primeira fila do desfile no Petit Palais com uma coroa cravejada de joias e um colar com um laço de diamantes, em referência às obras roubadas. "Estava a regressar a casa do escritório para um passeio, logo após o roubo das jóias do Louvre", disse Roseberry à Vanity Fair. "E pensei: 'Não seria giro reimaginar as joias do Louvre que foram roubadas?'" Originalmente feita para Eugénie em 1853, a tiara de pérolas e diamantes que inspirou o estilista foi criada pelo joalheiro Alexandre-Gabriel Lemonnier. A peça apresenta mais de 200 pérolas, 2.000 diamantes e 1.000 diamantes lapidados em rosa, todos dispostos num intrincado design que imita folhas e folhagem. De acordo com a historiadora de jóias Marion Fasel, as pérolas naturais cravejadas na tiara eram extremamente raras e caras no mercado, tornando a peça "um objeto de grande requinte". O colar usado por Taylor foi inspirado no broche de laço em ouro, prata e diamantes que servia de fivela de um cinto de diamantes com mais de 4.000 pedras. A peça original foi leiloada em 1877 e adquirida pelo Louvre em 2008 por um valor estimado em 10 milhões de dólares. A recriação do laço por Roseberry foi ainda mais ousada e luxuosa, em sintonia com o tema da coleção desta estação, intitulada "A Agonia e o Êxtase". História da Arte como Inspiração O mundo da arte tem sido uma referência constante para Roseberry, que assumiu a direção artística da Schiaparelli em 2019. Para o seu último desfile, afirmou ter-se inspirado também em Miguel Ângelo durante uma visita de última hora à Capela Sistina, enquanto estava num retiro criativo nos arredores de Roma. Roseberry observou que, embora as paredes da capela já estivessem adornadas por murais densamente pintados, foi o teto que Miguel Ângelo pintou a fresco 40 anos mais tarde, em 1508, que "mudou a arte para sempre". "Erga o pescoço para o céu e o pensamento cessa", disse Roseberry na sua declaração sobre a coleção, referindo que a criação de Miguel Ângelo apresenta "uma imaginação selvagem, visualmente exuberante, vulnerável e romântica" de Deus, da fé e da condição humana. “Aqui, a agonia e o êxtase misturam-se, o terrível e o requintado. Não nos contou o que aconteceu, mas, em vez disso, deu ao público permissão para expressar como se sentir ao contemplar a arte”, disse o estilista. “O cerne emocional desta temporada deixou de ser a aparência da obra e passou a ser como nos sentimos ao criá-la.” A luxuosa casa de moda francesa, fundada em 1927 por Elsa Schiaparelli, é o tema de uma exposição que será inaugurada em março no V&A de Londres, intitulada “Schiaparelli: A Moda Torna-se Arte”. Fonte: Artnet News |













