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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.


Vista da exposição Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.


Vista da exposição Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Renato Cruz Santos /Galeria Municipal do Porto.


Rigo 23, Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.


Vista da exposição Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Renato Cruz Santos /Galeria Municipal do Porto.


Vista da exposição Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Renato Cruz Santos /Galeria Municipal do Porto.


Leticia Costelha e Bruno-Zhu, Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.


Maíra Mafra, Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.


Pedro Huet, Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.


Janaína Wagner, Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.


Rita Senra, Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.

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COLECTIVA

ENSAIOS DE UMA COLEÇÃO – NOVAS AQUISIÇÕES DA COLEÇÃO DE ARTE MUNICIPAL




GALERIA MUNICIPAL DO PORTO
Palácio de Cristal Rua D. Manuel II
4050-346 Porto

04 ABR - 19 MAI 2024

Novas Aquisições, materialidades e visualidades. A Coleção de Arte do Porto, na Galeria Municipal.

 

 

 

A Galeria Municipal do Porto inaugura “Ensaios de uma Coleção", uma exposição onde se apresentam as novas aquisições da Coleção Municipal de Arte, esta última criada com a finalidade de desenvolver, valorizar e democratizar o património cultural e artístico da cidade.

Trata-se do segundo momento expositivo da iniciativa Aquisições, instituída em 2018, expondo-se, agora, as obras adquiridas pela coleção no ano de 2023, selecionadas por um Comité independente constituído por Mauro Cerqueira, Pedro Álvares Ribeiro e Pedro de Llano. Enquanto tal, o projeto expositivo é desenvolvido com um “apoio curatorial”, assinado por Isabeli Santiago e Patrícia Coelho.

Como explicam as curadoras no texto de apresentação, a exposição organiza-se e estrutura-se mediante três eixos: as cartografias que mapeiam o contexto sociopolítico do território da cidade do Porto, os gestos que convocam diferentes linguagens e materiais, e contranarrativas, ficcionais e autobiográficas, que ativam memórias e revisitam o passado.

Não devemos, contudo, na exposição, procurar delimitar os três núcleos, pois eles dialogam, relacionam-se e articulam-se num mesmo corpo. Aliás, as ligações que se estabelecem entre as inúmeras peças refletem-se no modo como a exposição se desdobra ao longo do espaço, tão dinâmica quanto orgânica, refletindo um admirável trabalho curatorial.

Não obstante, poderão destacar-se, por exemplo, do eixo das cartografias, casos tais como “Criptoporto - Necropsia de uma Cidade,” de Ruca Bourbon, que ocupa quase a totalidade da parede do fundo da galeria. A instalação, constituída por materiais recolhidos entre 2001 e 2023 – mapas, impressões, recortes de revistas, jornais, livros e documentos, CDs, entre outros – propõe um arquivo histórico, factual, embora simultaneamente imaginário, apresentado sob a forma de um mapa em rede que, justamente, reflete inúmeros vínculos, da metrópole e dos que a habitam.

Relativamente a artistas que são, eles mesmos, plurais e amplamente discursivos, poderá indicar-se Ana Hatherly, da qual se expõem duas peças, ambas “Sem título”, de 1997 e 1999, exemplares da excecional prática da artista que se localiza entre a poesia, o desenho e a pintura.

De semelhante centralidade no contexto artístico nacional, consta Maria José Aguiar, com a obra “Dobble: Uma história da pintura segundo Dobble”, de 1986. A artista é reconhecida por criar “Lugares-Próprios”, a partir dos quais, numa singular linguagem pictórica, emergem construções figurativas que dão forma às interrogações da artista. Destas, apontam-se as transversais à sua obra: as temáticas feministas e as questões de género.

Por sua vez, esta bela tela de Maria José Aguiar está em diálogo próximo com duas peças de Mariana Barrote, “Pontorma-te!” e “Speculum Dianae”, ambas de 2023. Nelas vemos criaturas imaginárias com corpos distorcidos, como que sujeitos a torções radicais, numa construção, ou antes, desconstrução anatómica.

A partir deste contraponto entre as duas artistas, assinala-se uma particularidade da exposição: um confronto geracional enriquecedor, nomeadamente da própria coleção. Sendo que, embora representativos de diversos contextos temporais e sociopolíticos, há um terreno comum a todos os artistas que nesta exposição se reúnem: a cidade do Porto.

A fim de destacar algumas obras recentes, refiro “Tirado do Sério” (2015), de João Pedro Trindade, um tapete de rua, cuja finalidade originária é demarcar a separação entre o interior e o exterior, e cujas duas faces revelam ora a exposição ao sol e a passada humana, ora a impressão da calçada portuguesa. No entanto, o modo como a peça se ergue na parede da galeria remete para uma bandeira, cujo significado fica por discriminar, livremente.

Assinalo também “Buraco #2” (2020), de Carlos Mensil, resultado de evidente perícia criativa e produtiva, e que, apesar da sua discrição formal propositada, é condutora de uma relevante experiência perceptiva. Constituída por diferentes elementos entre os quais aquele que lhe dá vida, o motor, a obra é caracterizada por uma hábil ação performativa e uma distinta estética com as quais o artista nos tem vindo a presentear. Situada entre o analógico e o digital, o tangível e o intangível, o visível e o não visível, emerge de dualidades, da problematização e da diluição destas, num repto do qual Carlos Mensil é já mestre.

 

António Manso Preto, Ensaios de uma Coleção, Galeria Municipal do Porto. © Dinis Santos / Galeria Municipal do Porto.



Embora reconheça haver muito mais a desbravar, aponto uma só outra referência, o díptico de Vasco Araújo, que cativa o olhar com o negro profundo do papel no qual se inscreve o gesto do artista, através do lápis de cera. Integrado na série “When what you see reminds you of a moment of joy”, de 2021, convoca a ação do corpo sobre o material, a experiência e a memória. Deste modo, esta obra será uma das mais expressivas do terceiro eixo expositivo, o dos gestos, na medida em que nela se concretiza a gestualidade exercida na matéria e a materialidade que o gesto humano adquire aquando da criação artística.

Paralelamente, ao longo de toda a exposição, as narrativas da cidade do Porto estão entrecruzadas com as narrativas biográficas dos artistas, transcrevendo-se e formando-se uma metanarrativa própria do presente, afirmativa do fim da conceção moderna das grandes narrativas, recorrendo aqui ao filósofo Jean-François Lyotard. Reforçam-se, portanto, as atuais dinâmicas da conectividade, em malha, de tudo e de todos.

Por fim, poderei ainda assinalar que a exposição declara o intuito de “responder ao desafio sobre os significados possíveis de uma coleção nos dias de hoje”. Com efeito, embora a coleção se desenvolva num campo bem delineado, é composta por diferentes materialidades e plasticidades, sendo ampla e heterogénea, sendo ampla e heterogénea, características estas definidoras da criação artística mais atual. Ora, nesta exposição, a partir de 43 obras e 38 artistas, apresenta-se, justamente, um “retrato coletivo sobre o presente da arte contemporânea”. A visitar, até ao dia 19 de maio.

 

 

Constança Babo
É doutorada em Arte dos Media e Comunicação pela Universidade Lusófona. Tem como área de investigação as artes dos novos media e a curadoria. É mestre em Estudos Artísticos - Teoria e Crítica de Arte, pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, e licenciada em Artes Visuais – Fotografia, pela Escola Superior Artística do Porto. Tem publicado artigos científicos e textos críticos. Foi research fellow no projeto internacional Beyond Matter, no Zentrum für Kunst und Medien Karlsruhe, e esteve como investigadora na Tallinn University, no projeto MODINA.



CONSTANÇA BABO