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EXPOSIÇÕES ATUAIS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS


Vista da exposição Teatro Anatómico, de Maria José Oliveira e Maria Helena Vieira da Silva. © Isabella Glock / cortesia FASVS

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ARQUIVO:


MARIA JOSÉ OLIVEIRA E MARIA HELENA VIEIRA DA SILVA

TEATRO ANATÓMICO




FUNDAÇÃO ARPAD SZENES - VIEIRA DA SILVA
Praça das Amoreiras, 56
1250-020 Lisboa

01 JUN - 17 SET 2023


 

Teatro Anatómico.

Uma conversa a dois no feminino.

Dois corpos, dois olhares, duas artistas, Maria Helena Vieira da Silva e Maria José Oliveira. Contemplamos o ver e o sentir do corpo, o exterior e o interior. O outro e o ser em si, a matéria e a desmaterialização.

Através deste diálogo, gera-se conexões de uma dialética fluida entre o objeto de estudo científico de Vieira da Silva e uma expressão intrínseca orgânica do ser em si de Maria José Oliveira.

Num olhar “fora” de si de Vieira da Silva, como diria o curador João Pinharanda (2023), observamos uma época delineada pela História da Arte. O corpo é concebido como um estudo formal estético e de análise compositiva anatómica, residindo, deste modo, o valor da mestria pictórica de uma artista. Remete-nos para a História da Arte e a importância do estudo anatómico no percurso artístico. Desta forma, surgem outras vozes. Através do olhar, descobre-se diferentes campos científicos humanos, revolucionando, assim, o entendimento do corpo, como uma “engenharia viva” do ser, como é apresentado nos “Cadernos Anatómicos” de Leonardo da Vinci, ou, ainda mais tarde, um pouco mais controverso para a altura, por ser considerado uma prática herética, “A Lição de Anatomia do Dr. Tulp” de Rembrandt, tal como nos relembra João Pinharanda (2023):

O Doutor Tulp, rodeado de colegas e alunos, a quem mostra o braço dissecado de um cadáver, aparenta ser a personagem principal da obra. A personagem principal, porém, e para a qual todos olham, é o próprio cadáver (Pinharanda, 2023).

Nos desenhos de Vieira da Silva, segue-se a tradição do desenho, que exterioriza uma investigação mecanicista dos diferentes “campos” visuais. A artista esboça minuciosamente detalhado em vários desenhos, tecidos, músculos e articulações, bem como esqueletos e estruturas ósseas acompanhados por legendas ou apontamentos manuscritos, como se um registo de estudo científico lhe interessasse. Por outras palavras, evidencia, de certo modo, um “corpo com órgãos” e de uma natureza finita. Para mais tarde, a artista trilhar novos caminhos estéticos, de modo a poder transfigurá-lo como um corpo ausente, diluído em “corpos-figuras” no espaço, marcados por contratempos espácio-temporais até ao seu desaparecimento.

 

Vieira da Silva, Desenho anatómico mãos, 1927. Colecção FASVS. © 2023 Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.

Vieira da Silva, Desenho anatómico [esterno e costelas], 1927. Colecção FASVS. © 2023 Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva.

 

 

Em contraponto, o corpo de Maria José Oliveira apresenta-se muito diferente, refletindo um pensamento estético na contemporaneidade. Não explana uma conceção anatómica clássica de um “corpo com órgãos”, ou melhor, finito, mas um olhar «“para dentro” de si» como afirma o curador João Pinharanda (2023).

O corpo de Maria José Oliveira é orgânico e fluido, sendo ela o próprio corpo, cuja sensação se transcreve na vertigem, na ruína, no trauma. Vislumbra a tragédia que vivencia a efemeridade. A matéria permanece constantemente em movimento, por assim dizer, expressa um corpo dinâmico que transparece de uma imanente transitoriedade temporal. Assim, observamos as palavras de João Pinharanda (2023): “Para Maria José Oliveira o Teatro Anatómico existe em si, no modo como olha para o corpo como agente trágico, representando o que nele (e através dele) sente.”

 

Maria José Oliveira, Asa - a alma não se mede em centímetros, 2010. Colecção de Arte Fundação EDP. © Carlota Costa Cabral

 

 

O corpo transmuta-se em espírito e em matéria, cuja vertigem se abarca na ruína do próprio ser. Revela-se como um “corpo sem órgãos”, segundo Deleuze e Guattari ([2007]. Mil Planaltos, capitalismo e esquizofrenia 2).

Este “corpo sem órgãos” descortina uma complexa noção de corpo, isto é, não se manifesta como uma ideia ou um conceito, mas uma ação ou uma “prática”. Um corpo dinâmico e fluido, quer em movimento quer em energia, espelha, assim, um rizoma multidimensional de “corpus”. É neste sentido que o corpo de Maria José Oliveira se transforma num “corpus” que se traslada pela desmaterialização da matéria, numa prática incessante e repetitiva, cujo informe determina o seu estado dinâmico.

O corpo pleno sem órgãos é o improdutivo, o estéril, o inengendrado, o inconsumível. Antonin Artaud descobriu-o, precisamente onde ele se encontrava, sem forma nem figura. Instinto de morte é o seu nome, e a morte não existe sem modelo (Deleuze & Guattari. O Anti-Édipo, p. 13).

Em Teatro Anatómico, Maria José Oliveira, flui em matérias frágeis e efémeras, em palha, galhos, barro cru seco, tripa de animal, tela crua e fio, dobradiças e parafusos, impressões digitais, vestígios ou matérias orgânicas vegetais como na obra Vegetal, 1980, ou em Colete para Frida Kahlo, 2004.

Percecionamos a ação do movimento e da energia da matéria, enquanto processo alquímico. Na obra Sistema Muscular e Coluna Vertebral, 2004, a artista desvela, deste modo, através dos materiais ténues e impermanentes, a insignificância como ação da efemeridade das coisas. O corpo passa a ser coisa, e a coisa, um corpo. Incorpora na matéria, a imaterialidade, o movimento, a energia. Transmuta nas matérias, a volátil materialidade de todas as coisas - a coisa, o corpo, o vegetal, a natureza. A morte. A vida.

 

 


Joana Consiglieri

Vive e trabalha em Lisboa. Artista plástica, teórica de arte, investigadora, professora do ensino superior e Design (Cocriadora de AMAZ’D art studio). Doutoramento em Ciências da Arte. Mestrado em Teorias da Arte e licenciada em Artes Plásticas – Escultura.



JOANA CONSIGLIERI