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EXPOSIÇÕES ATUAIS


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


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© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.


© Renato Cruz Santos. Cortesia Culturgest e Las Palmas.

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LAS PALMAS

APOFENIA




CULTURGEST (PORTO)
Edifício Caixa Geral de Depósitos Avenida dos Aliados, 104
4000-065 Porto

21 MAI - 05 SET 2021


 

Desde 2017, ano da sua formação, são vários os projetos expositivos desenvolvidos pelo coletivo Las Palmas, cuja irreverência e singularidade têm-lhe valido um lugar de crescente afirmação e destaque no panorama artístico contemporâneo nacional, bem como o olhar atento e curioso do público e da crítica.

Sediado em Lisboa, sob o comando dos timoneiros Aires de Gameiro, Hugo Gomes, Nuno Ferreira e Pedro Cabrita Paiva, Las Palmas assume-se como um artist run space que tem na experimentação, reflexão e atuação no campo das artes visuais o seu motor. Como uma lufada de ar fresco e servindo-se do cor de rosa choque como imagem de marca, o coletivo empresta um novo tom - forte e chamativo – ao circuito artístico, rompendo convenções e rasgando fronteiras. Território coletivo de experimentação e risco, sublinhemos a qualidade e vitalidade de um espaço que se tem afirmado enquanto agente de dinamização e renovação cultural. A atividade constante e significativa da programação expositiva de Las Palmas - temporária e eclética, de espírito low cost e marginal - revela-nos uma energia particular e uma maneira de ser e de conceber a atividade cultural e artística, merecedoras de atenção.

Espaço artístico independente que não segue um padrão definido; rampa de lançamento para artistas emergentes – nacionais e estrangeiros – mas onde também há lugar para os mais consagrados – Luísa Cunha, Beautiful, Espaço Las Palmas, Lisboa (2019) -; o apoio a abordagens inovadoras à arte contemporânea; lugar de proximidade entre o público e a prática artística, são fatores que implicam um dinamismo próprio e impõem padrões de originalidade, que terão sido determinantes para a inclusão de Las Palmas no ciclo Reação em Cadeia, da Culturgest e da Fidelidade Arte, com a exposição Apofenia. Com curadoria de Bruno Marchand e atualmente em exibição na Culturgest Porto, depois da apresentação em Lisboa no espaço Fidelidade Arte, não será exagero afirmarmos que Apofenia estabelece um marco na breve história do coletivo Las Palmas e do ciclo Reação em Cadeia. O projeto, que já vai na sexta edição, contraria a tendência habitual de representar o universo individual de um artista, optando por apresentar uma exposição coletiva que transpõe o universo e espírito de trabalho de um espaço gerido e fundado por artistas, que também cocomissariam a exposição. Assumindo a partilha e responsabilidade em traduzir o espaço de experimentação e de liberdade que os carateriza, assistimos a um exercício de encontro e de partilha de Las Palmas com o circuito artístico institucional. Apofenia estabelece uma ponte entre um circuito alternativo de abordagens ocultas e sub-representadas e o discurso galerístico e museológico, assistindo-se ao colmatar de uma distância que Las Palmas, desde a sua criação, demonstrou vontade em preencher [1]. O exotismo e a informalidade, que caracterizam as formas de expor e comissariar de Las Palmas, subsistem nesta mostra que reúne, para além das obras dos quatro fundadores, trabalhos de artistas nacionais e estrangeiros por eles selecionados: diálogos a várias vozes, narrativas que se entrecruzam e que coabitam o mesmo espaço de modo dissonante.

Fazendo jus ao conceito de apofenia [2] que serve de título à exposição, a mostra assume-se enquanto território de reunião de sintonias e de encontros circunstanciais entre singularidades, por vezes distantes, mas que comungam de uma mesma energia. Obras que, não obstante a sua distância, se revelam cúmplices no sentido da liberdade, da experimentação de ideias, do risco, do riso e da ironia. Em Apofenia mergulhamos num universo concetual, estético e visual no qual predominam a variedade de mediums, padrões, cores e materiais, num compromisso equilibrado e bem conseguido com as especificidades arquitetónicas do espaço da Culturgest Porto, onde a identidade visual de Las Palmas não se intimida. Qual ponto nevrálgico que nos empurra na sua direção e estrategicamente colocado no centro da sala, um altar cor de rosa choque desperta de modo imediato a nossa atenção. A divinização das obras de arte e a sua (des)sacralização acompanham-nos à medida que percorremos o altar; quais fiéis devotos prestamos adoração às múltiplas peças que o adornam - como se de imagens devocionais e relíquias se tratassem - sem reprimirmos o humor, a ironia e duplicidade de sentidos. Ocupando um lugar central no átrio octogonal do edifício e iluminado pela claraboia envidraçada, que lhe confere um caráter divino e celestial, o altar assume-se enquanto lugar de culto e de transcendência onde coabitam a comicidade e o escárnio, a cultura do nonsense e do absurdo, numa antevisão do espírito e da energia que definem Apofenia. Em redor do altar e das obras que o compõem, outras se assomam em cada uma das faces da sala octogonal, destaquemos o humor dada da obra em vídeo Perfect mud balls, 2021 dos Primeira Desordem; o vocabulário escultórico minimal de Rowena Harris; o caráter cenográfico de Places I’ve never been to, 2020 de Nuno Ferreira, cujos tons quentes, simplicidade, espontaneidade e liberdade de movimentos coreografados das manchas de cores nos envolvem numa plasticidade orgânica numa aparente evocação de elementos naturais. O ilusionismo ótico de a Máscara II, 2020 de Maria Miguel Von Hafe que faz da cor elemento que oculta e desculta a presença da obra, que ora se funde com a superfície branca da parede, ora existe como realidade, potencializada como uma janela interrompida que se abre e relaciona com o espaço.

A estes nomes e aos dos fundadores de Las Palmas somam-se Arno Beck; Carlota Bóia Neto; Catherine Telford-Keogh; Eduardo Fonseca e Silva & Francisca Valador; Guillermo Ros; Holly Hendry; Isabel Cordovil; Jason Dodge; José Taborda; Lea Managil; Line Lyhne; Lito Kattou; Rui Castanho; Sara Graça; Stefan Klein. Diversidade de vozes artísticas que se cruzam com confiante eloquência, revelando-nos os seus impulsos interiores numa exposição explosiva de celebração da arte contemporânea e que assume como verdadeiro espaço de desassossego.

 

 

 

 

Mafalda Teixeira
Mestre em História de Arte, Património e Cultura Visual pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, estagiou e trabalhou no departamento de Exposições Temporárias do Museu d’Art Contemporani de Barcelona. Durante o mestrado realiza um estágio curricular na área de produção da Galeria Municipal do Porto. Atualmente dedica-se à investigação no âmbito da História da Arte Moderna e Contemporânea, e à publicação de artigos científicos.

 

 

 


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Notas

[1] A este propósito leia-se a entrevista à revista Droste Effect Magazine com o curador Claudio Zecchi (2019). Disponível em: Droste Effect Magazine. Consultado no dia 28 de julho de 2021.
[2] Termo cunhado por Klaus Conrad em 1959 para o fenómeno cognitivo de percecionar ou identificar padrões entre dados aleatórios.

 



MAFALDA TEIXEIRA